Ex-secretário investigado por desvios na Saúde de Goiânia se apresenta à polícia
Pollara e Quesede foram alvos de mandados de prisão temporária, cumpridos na terça-feira (17), pela Delegacia de Combate à Corrupção (Deccor).

Enquanto o ex-secretário de Saúde de Goiânia, Wilson Pollara, está em São Paulo tratando de um câncer no rim, segundo informou a defesa do médico, o ex-secretário executivo da pasta, Quesede Ayres Henrique, que supostamente estaria foragido no Tocantins, se apresentou à Polícia Civil na tarde desta quinta-feira (19).
Pollara e Quesede foram alvos de mandados de prisão temporária, cumpridos na terça-feira (17), pela Delegacia de Combate à Corrupção (Deccor). Como não estavam em Goiânia, passaram a figurar como foragidos da Justiça. No Tocantins, onde possivelmente estava escondido, Quesede foi secretário executivo da Saúde nas gestões do atual governador, Wanderlei Barbosa, e do ex-governador, Mauro Carlesse.
Este último foi preso no domingo (15) por suspeitas de planejar fuga para outro país a fim de escapar de uma investigação sobre o pagamento de propinas em contratos públicos. Este caso, à princípio, não tem relação com Quesede Ayres. O ex-secretário Executivo de Saúde de Goiânia está na Casa do Albergado, no Jardim Europa, onde deve permanecer preso, de forma temporária.
Wilson Pollara
A defesa de Wilson Pollara informou que esteve reunida com a autoridade policial à frente das investigações envolvendo o médico, na manhã de quarta-feira (18), e que relatou na oportunidade que Pollara não possui condições clínicas de interromper o acompanhamento médico que vem fazendo, em São Paulo, para tratamento de um câncer no rim. Trata-se de um idoso de 75 anos, cujo estado de saúde é de extrema fragilidade.
A defesa informou ainda, que irá impetrar habeas corpus com pedido de liminar buscando a revogação da prisão temporária.
Investigações
Wilson Pollara e Quesede Ayres são investigados em duas operações que apuram supostos crimes praticados na Secretaria de Saúde de Goiânia. Eles foram alvos de mandados de prisão temporária na operação Speedy Cash, da Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (Deccor), no entanto, não foram encontrados. A Polícia Civil investiga um esquema que desviou R$ 10 milhões da pasta que comandaram na capital. Outras três pessoas investigadas foram presas nesta terça-feira (17).
Além disso, a operação, denominada "Comorbidade", do Ministério Público, realizada em novembro, resultou na prisão de Pollara e outros dois ex-gestores da SMS, Quesede e Bruno Vianna, por formarem uma associação criminosa. O esquema envolvia pagamentos não oficiais a fornecedores da Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas (Fundahc), impactando negativamente a gestão da saúde municipal e agravando a crise no setor, com reflexos diretos nas filas das UTIs.
Além das prisões, a operação cumpriu oito mandados de busca e apreensão, e determinou a suspensão das funções públicas dos envolvidos. Durante as buscas, R$ 20.085,00 em dinheiro foram encontrados na posse de um dos alvos.

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