Ex-secretário de Rogério Cruz vira alvo de operação que apura suposto esquema de propina
Polícia Civil cumpriu mandados contra ex-integrantes da gestão Rogério Cruz e investiga supostas cobranças ilegais para emissão e renovação de alvarás de eventos culturais. Empresário relata prejuízo superior a R$ 400 mil

O presidente da Goiás Turismo, Paulo Henrique da Farmácia (Republicanos), foi um dos alvos da operação deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta quarta-feira (10), que investiga um suposto esquema de cobrança de propina para a liberação e renovação de alvarás de eventos culturais em Goiânia durante a gestão do ex-prefeito Rogério Cruz.
Além de Paulo Henrique, que ocupou o cargo de secretário municipal de Desenvolvimento e Economia Criativa (Sedec) na administração passada, outros ex-integrantes do governo municipal também foram alvo de mandados de busca e apreensão. A Justiça ainda autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 12 pessoas suspeitas de participação no esquema.
Segundo a Polícia Civil, a investigação mira ex-servidores comissionados que atuavam em setores responsáveis pela análise de documentos e emissão de licenças para eventos na capital. Apesar da operação, não houve prisões até o momento.
Em nota, a Prefeitura de Goiânia destacou que os fatos investigados são referentes à gestão anterior e não possuem qualquer relação com a atual administração. O município afirmou ainda que permanece à disposição das autoridades para colaborar com o andamento das investigações.
A apuração começou após a denúncia de um empresário do ramo de eventos, que procurou a Polícia Civil relatando ter sido vítima de cobranças ilegais para conseguir autorizações e renovar alvarás de funcionamento.
De acordo com o delegado Danilo Victor Souza, responsável pelo caso, empresários eram pressionados a pagar propina para obter a liberação dos eventos. Em alguns casos, a cobrança acontecia após a realização da atividade, quando uma parcela do lucro obtido deveria ser repassada aos agentes públicos envolvidos.
“Você podia trabalhar, mas para ter o alvará teria que pagar uma propina. Geralmente esse pagamento ocorria depois da apuração do que a empresa conseguiu lucrar com o evento. Ela tinha que pagar um rateio para agentes públicos envolvidos com o processo de liberação desse evento”, afirmou o delegado.
As investigações apontam ainda que a suposta vantagem indevida nem sempre era paga em dinheiro. Conforme os depoimentos colhidos, algumas empresas teriam sido obrigadas a promover eventos gratuitos em locais de interesse da administração municipal como condição para obter a autorização de funcionamento.
O principal denunciante afirmou ter acumulado prejuízos superiores a R$ 400 mil por causa das exigências consideradas ilegais. Segundo ele, a situação tornou inviável a continuidade das atividades empresariais em Goiânia.
A Polícia Civil ressalta que o foco da investigação não é o desvio de recursos públicos, mas a suspeita de corrupção relacionada à cobrança de propina para liberar ou renovar alvarás. Com a operação desta quarta-feira, os investigadores buscam reunir novas provas e aprofundar a identificação da participação de cada um dos suspeitos no suposto esquema.

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