O deputado federal Kim Kataguiri afirmou que o silêncio do senador Flávio Bolsonaro sobre o chamado “caso Master” tem relação com alianças políticas, doações eleitorais e decisões judiciais envolvendo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o parlamentar ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL) disse que há pelo menos três motivos para que o tema não esteja sendo comentado por integrantes do grupo político bolsonarista.
Segundo Kataguiri, um dos fatores seria a relação política entre aliados do governo anterior e o empresário envolvido no caso. Ele citou o senador Ciro Nogueira como um dos nomes próximos ao empresário e frequentador de eventos promovidos por ele.
O deputado também mencionou doações eleitorais feitas pelo empresário citado no episódio. De acordo com Kataguiri, essas contribuições teriam beneficiado campanhas do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e do próprio ex-presidente Jair Bolsonaro.
Outro ponto apontado pelo parlamentar envolve decisões judiciais do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Kataguiri afirmou que o magistrado tomou decisões que beneficiaram Flávio Bolsonaro em investigações anteriores, o que, segundo ele, ajudaria a explicar a ausência de críticas públicas ao ministro.
Durante a fala, o deputado também criticou o que chamou de postura “personalista” do bolsonarismo. Ele afirmou que apoiadores do ex-presidente tendem a seguir a posição de Bolsonaro independentemente do tema em debate.
Kataguiri citou como exemplo votações ocorridas durante o governo federal anterior, incluindo propostas que, segundo ele, flexibilizaram regras da lei de improbidade administrativa e medidas econômicas aprovadas pelo Congresso Nacional.
Ao comparar com o movimento ao qual pertence, o deputado disse que o MBL defende uma organização partidária baseada em programa político. Ele mencionou o chamado “Livro Amarelo”, documento que reúne propostas nas áreas de segurança pública, saúde, educação, infraestrutura, defesa, ciência e tecnologia.
Para o parlamentar, partidos brasileiros muitas vezes funcionam apenas como agrupamentos políticos sem um programa estruturado. Segundo ele, essa prática seria comum especialmente entre siglas ligadas ao chamado centrão.