“Embaixador das facções”: Caiado faz ataque duro a Lula ao falar de PCC e CV; veja vídeo
Governador afirma que não há democracia com territórios dominados por facções e acusa o presidente de ser complacente com o crime organizado ao comentar classificação de grupos como terroristas

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou que não é possível falar em democracia ou governabilidade no Brasil enquanto facções criminosas controlarem territórios no país. A declaração foi feita durante um debate sobre segurança pública e combate ao crime organizado.
Segundo o governador, a presença de organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) em diferentes regiões do país evidencia a fragilidade do Estado diante do avanço do crime organizado.
“Você não tem governabilidade sem segurança pública. Não existe governabilidade, existe falsa governabilidade. Não é um país democrático quando você diz que determinado território pertence ao Comando Vermelho ou ao PCC. Qual país democrático aceita isso? Não existe. Só o Brasil”, afirmou.
Integração policial em Goiás
Caiado citou a experiência de Goiás no combate ao crime organizado e destacou a atuação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), instalada dentro da superintendência da Polícia Federal no estado.
Segundo ele, a integração entre diferentes forças de segurança tem sido decisiva para reduzir crimes violentos.
“A sede da FICCO está em Goiás, dentro da superintendência da Polícia Federal. Ali trabalham juntos inteligência da Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Federal. É um ambiente de convergência de informações”, disse.
O governador também afirmou que ampliou significativamente a área de inteligência da segurança pública estadual.
“Quando assumi o governo, formamos mil homens na inteligência. A partir disso, Goiás deixou de registrar crimes como novo cangaço, ataques a carros-fortes, sequestros e invasões de terra. O crime recua quando sabe que existe estrutura para enfrentá-lo.”
Críticas ao governo federal
Durante a fala, Caiado também criticou o que considera falta de firmeza do governo federal no combate às facções criminosas.
“Existe uma sensação de que governantes são transitórios e muitos têm receio de enfrentar as facções. Vejo o governo federal sendo complacente e conivente com esses grupos. Se o presidente não tem exemplo e autoridade moral, como vai combater o crime?”, questionou.
O governador também defendeu maior cooperação internacional para combater o narcotráfico e o crime organizado nas fronteiras brasileiras. Segundo ele, tecnologias como satélites, drones de longa distância e sensores térmicos poderiam ajudar no monitoramento da Amazônia e de áreas estratégicas.
“Mais de 230 municípios da Amazônia já estariam sob influência dessas organizações. Precisamos de tecnologia, cooperação internacional e integração entre estados e países vizinhos para enfrentar esse inimigo que é de toda a sociedade.”
Maioridade penal
Caiado também voltou a defender mudanças na legislação para endurecer a responsabilização de adolescentes envolvidos em crimes. Segundo ele, medidas adotadas em Goiás contribuíram para reduzir o número de jovens no sistema socioeducativo.
“Quando cheguei ao governo, havia 1.073 jovens no sistema socioeducativo. Hoje são 198. Quando existe punição e consequência, a criminalidade recua”, afirmou.
Para o governador, adolescentes a partir de 16 anos deveriam responder criminalmente por crimes graves.
“Essa faixa etária tem que começar a responder, sim, pelos crimes praticados. Quando o Estado demonstra que existe consequência, a criminalidade diminui”, disse.
Declarações sobre facções e reação dos EUA
Caiado também comentou uma reportagem exibida pela GloboNews sobre a possibilidade de os Estados Unidos classificarem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Segundo a emissora, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta evitar essa classificação por considerar que poderia ferir a soberania nacional.
“O governo Lula tenta evitar que os Estados Unidos classifiquem duas facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. O Brasil, o governo brasileiro nos bastidores, diz que seria um desrespeito à soberania nacional caso os Estados Unidos decidissem atuar contra o PCC e contra o Comando Vermelho, mesmo já não sendo novidade que essas facções têm braços fora do Brasil”, noticiou a GloboNews.
Na sequência, Caiado elevou o tom das críticas.
“Gente, vocês viram o que aconteceu? Bastou o governo americano dizer que vai classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas no Palácio Pará, o Lula imediatamente convocou todo o governo e naquela hora passou a fazer uma defesa enfática do crime organizado no Brasil. Eu sempre disse a vocês que o Lula e o PT são complacentes e coniventes com o narco-tráfico no país. Mas cada vez mais essas facções criminosas tomam o território nacional e invadem outros países na comercialização do narcotráfico.”
“Hoje nós sabemos qual é a função real do Lula. Não é governar. O Lula realmente se colocou como o embaixador oficial do narcotráfico e das facções criminosas do Brasil. É isso aí, Lula. Esse é seu título. Levando isso aí para o país todo. Que vergonha, Lula. Você não tem estatura para continuar nesse cargo. É assim, minha gente. Nossa posição dura, firme, combatendo o crime, é que nós vamos devolver o Brasil aos brasileiros de bem”, declarou Caiado.

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