Dono do Banco Master planejou agredir jornalista e “moer” empregada na porrada
PF descobre grupo mantido por Vorcaro com pagamento mensal de R$ 1 mi; bando simulava assaltos

A prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ganhou novos contornos nesta quarta-feira (4). Mensagens obtidas pela Polícia Federal revelam que, além das fraudes bilionárias, Vorcaro utilizava métodos violentos para silenciar opositores. O conteúdo faz parte da decisão do ministro André Mendonça, do STF, que detalha a existência de uma milícia privada chamada “A Turma”.
Em diálogos via WhatsApp com Luiz Phillipi Mourão, apontado como chefe do braço armado do esquema, Vorcaro sugeriu simular um assalto para espancar um jornalista que publicava reportagens contra seus negócios. “Dar um pau” e “quebrar todos os dentes” foram as expressões usadas pelo banqueiro para descrever o plano de silenciar a voz da imprensa.
“Tem que moer essa vagabunda”
O tempero agressivo de Vorcaro não poupava nem quem trabalhava em sua intimidade. Ao sentir-se ameaçado por uma funcionária doméstica, identificada como Monique, o banqueiro ordenou que o grupo levantasse informações sobre ela: “É mole? Tem que moer essa vagabunda”, escreveu.
De acordo com a PF, Vorcaro pagava cerca de R$ 1 milhão por mês para manter esses "serviços" de prontidão.
Espionagem e Infiltração
A investigação aponta que “A Turma” não agia apenas com força física. O grupo acessava ilegalmente sistemas da Polícia Federal, do Ministério Público e até da Interpol usando credenciais obtidas de forma ilícita. O objetivo era monitorar adversários e antecipar passos de investigações oficiais.
As mensagens revelaram ainda uma perigosa proximidade de Vorcaro com o alto escalão do Banco Central. Em um dos diálogos, Paulo Sérgio Neves de Souza, então Chefe-Adjunto de Supervisão Bancária, chegou a enviar para o banqueiro a foto de sua própria nomeação no Diário Oficial, indicando que a escolha de nomes para cargos estratégicos de fiscalização poderia fazer parte do esquema fraudulento.

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