"Documentar tudo que é feito aqui", diz promotora que investiga a Comurg
A representante do MPGO destacou que já expediu recomendação sobre a nulidade dos acordos coletivos que resultaram em supersalários na companhia.

O Ministério Público de Goiás (MPGO) realizou nesta quinta-feira (16) uma visita às instalações da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), para estabelecer o diálogo com a nova gestão e inspecionar departamentos técnicos. A titular da promotoria, Leila Maria de Oliveira, conduz inquéritos civis relacionados à companhia, entre os quais um que investiga pagamentos irregulares a funcionários. Ela indicou a necessidade de reestruturação na empresa.
Leila Maria de Oliveira vistoriou setores da empresa, incluindo a frota de caminhões, almoxarifado, posto de combustível e teve acesso à documentação referente à folha de pagamento. "Esta visita representa uma mudança de mentalidade, de documentar tudo que é feito aqui. Fomos bem recebidas e acreditamos que haverá um processo de saneamento na Comurg", afirmou.
A representante do MPGO destacou que já expediu recomendação sobre a nulidade dos acordos coletivos que resultaram em supersalários na companhia. "Esses acordos são absolutamente nulos, pois a Comurg é dependente desde 2015 e não houve participação do Município nesses acordos coletivos. Há, inclusive, previsão irregular de não demitir funcionárias e funcionários que fiquem sem função, o que é ilegal", explicou a promotora de Justiça, durante entrevista coletiva de imprensa.
A visita técnica integra investigações conduzidas pela promotoria, para a qual são encaminhadas, devido ao princípio da prevenção, as notícias de fato sobre eventuais atos de improbidade na companhia. Segundo Leila Maria de Oliveira, o cenário encontrado é “preocupante, mas há perspectivas de melhorias com a nova gestão”.
A promotora de Justiça defendeu ainda a realização de uma auditoria externa na companhia, já solicitada em recomendação expedida nesta semana. Ela ressaltou também a distribuição desigual dos benefícios salariais: "Os supersalários são só para alguns, não para todos. Os acordos coletivos foram feitos de forma totalmente irregular, com uma estruturação de cálculo injusta, exponencial".

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