Dino proíbe novas turmas de medicina em universidades "municipais" de Goiás
O ministro do STF fundamentou sua decisão no entendimento de que essas instituições estão operando de maneira irregular ao cobrarem mensalidades, desvirtuando assim a essência do ensino público

Uma decisão liminar do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), gerou repercussão na educação superior em Goiás. A medida suspendeu a criação de novas turmas de cursos de Medicina em universidades "municipais" das cidades de Mineiros e Rio Verde, localizadas na Região Sudoeste do estado, que estariam cobrando mensalidades.
O juiz fundamentou sua decisão no entendimento de que essas instituições, reconhecidas como Instituições de Educação Superior Municipais (IMES), estão operando de maneira irregular ao cobrarem mensalidades, desvirtuando assim a essência do ensino público gratuito previsto na Constituição Federal. Segundo Dino, as unidades estão além dos limites geográficos de seus municípios e agem como entidades particulares, o que fere diretamente os direitos garantidos pela legislação educacional.
Na análise da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1247, o ministro ressaltou que a cobrança de mensalidade em instituições públicas é restrita a três cenários específicos: cursos de pós-graduação, escolas militares e instituições que já cobravam antes da promulgação da Constituição de 1988. Assim, a existência de mensalidades em instituições criadas posteriormente constitui uma violação do artigo 206 da Constituição, que garante a gratuidade da educação pública em todos os níveis.
Dados do Ministério da Educação (MEC) revelam que, entre as 70 instituições de ensino superior municipais no Brasil, apenas 47 foram fundadas antes de 1988. Essa informação é crucial, segundo o magistrado, pois apenas essas podem legitimamente indicar a cobrança de mensalidades. As 23 instituições estabelecidas na década de 1990, por outro lado, podem ser vistas como transgressoras das normas constitucionais, ao exigir valores de seus alunos.
Em resposta à complexidade da situação, o ministro Flávio Dino solicitou diligências ao MEC e aos Conselhos de Educação dos estados de São Paulo e Goiás para obter mais informações sobre a legalidade das instituições em questão. Essa tentativa de reestruturação do cenário educacional visa não apenas preservar os direitos dos estudantes, mas também reafirmar os princípios fundamentais que regem a educação pública no Brasil.
À medida que o caso avança, a comunidade acadêmica e os estudantes aguardam com expectativa as próximas etapas desse processo que pode alterar significativamente a paisagem do ensino superior na região. A discussão sobre a gratuidade e qualidade da educação pública, um tema central na agenda nacional, certamente ganhará um novo patamar de visibilidade.

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