Dino diz que denúncia de governador foi "gatilho" para investigações
Ministro reforçou que não há, até o momento, parlamentares presos ou operações de busca e apreensão no Congresso relacionadas ao tema

Uma semana antes de autorizar uma operação da Polícia Federal que teve como alvo uma ex-assessora ligada à liderança do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino afirmou publicamente que denúncias feitas por governadores, entre eles Mauro Mendes (União Brasil), de Mato Grosso, contribuíram para a abertura de investigações sobre possíveis irregularidades na destinação de emendas parlamentares.
A declaração foi feita durante um evento público, no qual Dino relembrou uma audiência com representantes do Fórum Nacional de Governadores. Segundo o ministro, Mauro Mendes alertou de forma direta sobre a gravidade da situação envolvendo emendas nos estados e municípios. “A situação das emendas nos estados e nos municípios é muito grave”, teria dito o governador mato-grossense, conforme relatou Dino.
No discurso, o ministro reforçou que não há, até o momento, parlamentares presos ou operações de busca e apreensão no Congresso relacionadas ao tema, mas destacou que existem investigações em andamento. Para Dino, a atuação do Judiciário é obrigatória sempre que surgem indícios de irregularidades, independentemente do cenário político. “Fingir que não ouvi seria prevaricar”, afirmou.
Flávio Dino também ressaltou que as investigações não se baseiam apenas em denúncias de governadores, mas em informações vindas da imprensa, de prefeitos, parlamentares e outros agentes públicos. Ele disse ainda que adota cautela e equilíbrio nas decisões, lembrando que medidas mais duras só são tomadas após análise técnica e oitiva das partes envolvidas.
Ex-deputado federal, ex-governador e ex-senador, Dino afirmou ser favorável às emendas parlamentares, desde que cumpram sua finalidade. “Eu só quero que a obra exista”, declarou, ao defender transparência e efetividade na aplicação dos recursos públicos.
A operação da Polícia Federal autorizada pelo STF segue sob sigilo parcial, e as investigações continuam para apurar possíveis desvios e irregularidades na execução de emendas parlamentares.

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