Derrotados com "PEC da Blindagem", Bolsonaristas querem "enquadrar" PT usando PCC e CV
Os oposicionistas bolsonaristas vislumbram este projeto de lei como uma forma de desestabilizar e confrontar o governo. A expectativa é que, ao adotarem uma posição contrária a este projeto

Em uma manobra estratégica, lideranças bolsonaristas trabalham para pressionar o Partido dos Trabalhadores (PT), do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mediante a elaboração de um projeto de lei que visa classificar grupos criminosos, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas. A medida surge em resposta à recente atuação do PT na chamada PEC da Blindagem e à operação Carbono Oculto, que visou desmantelar braços operacionais do PCC.
As informações são de Igor Gadelha, do Metrópoles.
Com a conquista da narrativa do discurso “anticorrupção” pelo PT, os oposicionistas bolsonaristas vislumbram este projeto de lei como uma forma de desestabilizar e confrontar o governo. A expectativa é que, ao adotarem uma posição contrária a este projeto, os petistas se vejam encurralados, sendo retratados como menos eficazes na luta contra o crime organizado. Essa estratégia aproveitaria a resistência esperada do PT à proposta, transformando-a em um trunfo político contra o partido de Lula.
Inicialmente, havia a intenção de que o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), uma figura de destaque nas redes sociais e conhecida por sua retórica afiada, assumisse a relatoria do projeto. Porém, num movimento calculado, Nikolas anunciou a transferência da incumbência para Guilherme Derrite (PP), o atual secretário de Segurança Pública de São Paulo. Derrite planeja retornar à Câmara dos Deputados exclusivamente para conduzir o projeto, repetindo uma estratégia semelhante adotada em dezembro de 2024, quando propôs endurecer as normas do Código de Processo Penal contra membros de facções criminosas.
Esse movimento tático dos bolsonaristas reflete um esforço para capturar a narrativa política em um cenário onde questões de segurança pública são cada vez mais prementes. Ao rotular o PCC e o CV como grupos terroristas, o PL visa a galvanizar apoio popular e embaraçar o governo atual, incentivando um debate robusto na esfera pública, que poderá influenciar a percepção do eleitorado sobre a efetividade do PT no combate ao crime organizado.

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