Deputados goianos reagem à transição de gênero em crianças e adolescentes
Atualmente, estão em pleno funcionamento o Serviço Especializado do Processo Transexualizador do Hospital Estadual Geral de Goiânia Dr. Alberto Rassi (HGG), totalmente financiado pela SES-GO

Deputados estaduais, que representam a direita goiana, reagiram fortemente às notícias de que 100 crianças de 4 a 12 anos e 180 adolescentes de 13 a 17 anos realizam processo de transição de gênero gratuitamente no Hospital das Clínicas (HC) da Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista.
Os parlamentares Paulo Trabalho (PL) e Fred Rodrigues (DC) também reagiram à informação de que o Governo do Estado planeja ampliar o atendimento especializado às pessoas que já passaram ou ainda estão no processo de afirmação de gênero para unidades estaduais no Sudoeste Goiano e no Entorno Norte do Distrito Federal.
Fred Rodrigues, eleito no pleito de 2022 defendendo pauta conservadora, publicou reportagem sobre o tema e afirmou que não apoiará o governo nos custos de tratamento.
“Em Goiás o dinheiro público não será utilizado para financiar este crime”, disse.
A redação entrou em contato com o deputado eleito Fred para entender melhor seu posicionamento, mas até o fechamento desta reportagem não obtivemos retorno.
Já Paulo Trabalho afirmou ao G5 que não é contra o tratamento, porém, disse estar preocupado com o fato de menores estarem passando pelo processo.
"Como um defensor dos direitos humanos, sou profundamente respeitoso com todos os gêneros e nacionalidades. No entanto, fico preocupado ao saber que o Hospital da USP realizou cirurgias de mudança de sexo em mais de 300 menores. Essa decisão envolve um grande nível de responsabilidade e estou convencido de que menores de idade ainda são incapazes de compreender completamente os possíveis impactos de longo prazo dessas mudanças de sexo. Por isso, acredito que as operações deveriam ser realizadas somente se necessário e em um ambiente seguro, com total aprovação dos pais, após ampla discussão e amplo acompanhamento psicológico", afirmou o parlamentar.
Apesar de Paulo Trabalho afirmar que mais de 300 menores realizaram troca de sexo no país, é importante esclarecer que a informação não é verídica.
Menores de 18 anos não podem realizar cirurgia de redesignação sexual, "troca de sexo". porém, é permitido o tratamento para bloqueio da puberdade e harmonização, o que também é polêmico, já que é permitido o tratamento para crianças e adolescentes.
A resolução do Conselho Federal de Medicina de 2020 é clara ao afirmar que a idade mínima, que antes era de 21 anos, agora é de 18 anos, para que pessoas transgênero possam ter acesso a cirurgias de “afirmação de gênero”, quando há o desejo de mudança de genitália.
Cirurgias em Goiás
Atualmente, estão em pleno funcionamento o Serviço Especializado do Processo Transexualizador do Hospital Estadual Geral de Goiânia Dr. Alberto Rassi (HGG), totalmente financiado pela SES-GO; o Ambulatório do Processo Transexualizador Regionalizado de Itumbiara, cofinanciado pela SES-GO; e o Ambulatório Regionalizado do Processo de Afirmação de Gênero de Senador Canedo, que está em processo de credenciamento para receber os recursos do Estado.
No HGG, é realizado o acompanhamento psicossocial e clínico, pré e pós-cirúrgico, As cirurgias são realizadas e/ou acompanhadas por equipe multiprofissional e interdisciplinar, composta por médicos, ginecologista, urologista, cirurgião plástico e psiquiatra, além de psicólogo.

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