Deputados de Goiás usam "giroflex" em carros oficiais para furar sinal e invadir faixas de ônibus
Uso de iluminação de emergência por parlamentares da Alego viola o Código de Trânsito

Veículos oficiais da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), destinados ao uso exclusivo dos deputados estaduais, estão circulando pelas ruas da capital equipados com dispositivos de iluminação intermitente, conhecidos como "giroflex". A prática, revelada pela reportagem do jornal O Popular, configura uma violação direta ao Código de Trânsito Brasileiro (CTB), uma vez que esses equipamentos são restritos a veículos de emergência, polícia e socorro.
De acordo com o levantamento, parlamentares estariam utilizando a sinalização vermelha e branca instalada na parte traseira de SUVs e caminhonetes para obter vantagem indevida no fluxo de veículos. Com os dispositivos acionados, os carros oficiais têm avançado semáforos fechados e trafegado por corredores exclusivos de transporte coletivo, desrespeitando as normas de circulação vigentes.
Ilegalidade e Privilégio Injustificado
A legislação brasileira é rigorosa quanto ao uso de sinais sonoros e luminosos. Segundo o CTB, a prerrogativa de livre circulação e prioridade de passagem é exclusiva para veículos de socorro de incêndio, polícia, fiscalização de trânsito e ambulâncias, desde que estejam em efetivo serviço de urgência. Especialistas ouvidos pelo O Popular reforçam que não existe previsão legal para "autorização excepcional" destinada a autoridades legislativas.
Para a presidente da Comissão de Direito de Trânsito da OAB/GO, Eliane Nogueira, a situação é clara: os deputados estão usurpando uma regra de segurança pública. Ao utilizar o giroflex em carros comuns, os parlamentares não apenas cometem uma infração grave, como também alteram a dinâmica do tráfego de forma perigosa, impondo uma prioridade que a lei não lhes confere.
Opacidade nos Gastos Públicos
Um dos pontos mais sensíveis da denúncia diz respeito à origem e ao financiamento desses equipamentos. A reportagem do O Popular apurou que os contratos de aquisição da frota da Alego, realizados entre 2023 e 2025, previam apenas itens de segurança obrigatórios exigidos pelo Contran. Não há registros de licitação ou compra desses dispositivos de iluminação no Portal da Transparência da Assembleia.
Diante da ausência de registros oficiais, surge a suspeita de que a instalação dos acessórios tenha sido custeada individualmente por meio das verbas de gabinete de cada parlamentar. Isso indicaria o uso de recursos públicos para financiar uma alteração veicular proibida pela legislação federal.
Silêncio da Assembleia Legislativa
Procurada para prestar esclarecimentos sobre a quantidade de veículos equipados e os custos envolvidos, a Assembleia Legislativa de Goiás optou pelo silêncio. A Casa não respondeu aos questionamentos do O Popular sobre o motivo da instalação dos dispositivos, nem comentou sobre o desrespeito às regras de trânsito por parte dos deputados.
Até o momento, o Detran-GO também não se posicionou sobre a possível busca de registros para autorizações excepcionais, embora a legislação de trânsito não preveja tais brechas para cargos políticos. O caso agora levanta discussões sobre a fiscalização desses veículos e o fim dos privilégios que colocam autoridades acima das leis impostas ao cidadão comum.

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