Deputado goiano investiga compra de 35 mil comprimidos de Viagra para Forças Armadas
Aeronáutica, única a responder sobre a aquisição, informou que o medicamento é usado para hipertensão arterial pulmonar e em pacientes com esclerose sistêmica e não como para disfunção erétil.

O deputado federal por Goiás, Elias Vaz (PSB), apresentou requerimento pedindo que o Ministério da Defesa explique a compra de pelo menos 35,2 mil unidades de Viagra, entre os anos de 2020 e 2021. A aquisição foi descoberta pelo deputado durante um levantamento do ministério sobre compra de medicamentos para as Forças Armadas.
Dados do Portal da Transparência e do Painel de Preços do governo federal mostram oito pregões homologados entre 2020 e 2021, e ainda em vigor neste ano.
Apresentei um requerimento cobrando explicações do Ministério da Defesa para mais esse gasto imoral. No início do mês tivemos um reajuste alto no preço dos remédios, os hospitais sofrem com a falta de medicamentos e Bolsonaro e sua turma usam dinheiro público para comprar o azulzinho”, disse o parlamentar.
A questão é que o medicamento não foi o único comprado pelo Governo, que chamou a atenção. O órgão também teria feito a compra de Minoxidil e Finasterida, usado para combater a calvície masculina. Apesar de o valor ser de apenas R$ 2,1 mil empenhados entre 2018 e 2020, deputados querem saber por qual motivo foram feitas as compras desses medicamentos.
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Aeronáutica explica que usa Viagra para hipertensão pulmonar e não para disfunção erétil
Vaz afirma que é preciso entender porque o Governo está gastando dinheiro público com Viagra e nessa quantidade tão alta.
O processo de compra aponta que o medicamento com princípio ativo Sildenafila, composição Sal Nitrato (Viagra), nas dosagens de 25 mg e 50 mg. A maior parte dos medicamentos foi destinada à Marinha. Entretanto, os remédios também foram encaminhados ao Exército, com 5 mil comprimidos, e a Aeronáutica, com 2 mil comprimidos.
Outro lado
Em nota à imprensa, a Aeronáutica informou que o medicamento é usado para hipertensão arterial pulmonar e em pacientes com esclerose sistêmica, para melhor controle do fenômeno de raynaud em pessoas acometidas pela grave doença. A Aeronáutica destacou ainda que o uso para o tratamento de disfunção erétil, principal uso indicado do viagra, "não se encontra priorizada nesse tipo de aquisição".
"Entre os usos atualmente aprovados da sildenafila estão principalmente o tratamento para hipertensão arterial pulmonar e para melhor controle do fenômeno de raynaud numa doença grave denominada esclerose sistêmica, o que endossa e motiva a aquisição para utilização do aludido medicamento especialmente no âmbito hospitalar. A utilização para o tratamento da disfunção erétil não se encontra priorizada nesse tipo de aquisição", explicou.
"Reiteramos que nossos processos licitatórios são transparentes, com estreita observância aos princípios constitucionais e utilização das ferramentas institucionais e dos sistemas oficiais de compras do Governo Federal, sendo submetidas à fiscalização dos órgãos de controle, interno e externo", continuou.
A Marinha declarou que todo o processo licitatório foi realizado dentro do que diz a lei.
"Trata-se de doença grave e progressiva que pode levar à morte. A associação de fármacos para a HAP [hipertensão arterial pulmonar] vem sendo pesquisada desde a década de 90, estando ratificado, conforme as últimas diretrizes mundiais (2019), o uso da sildenafila, bem como da tadalafila, com resultados de melhora clínica e funcional do paciente", defendeu.
O Exército e o Ministério da Defesa ainda não se manifestaram.

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