Deputado goiano é alvo da PM por “influenciar” na nomeação de diretores de Colégios Militares e “cobrar” pelas indicações
O deputado teria influenciado em nomeações de diretores em pelo menos 19 colégios militares em Goiânia, Aparecida, Anápolis, Goianápolis, Pirenópolis, Goianésia, Senador Canedo e Jaraguá

Divisão de Inteligência da Polícia Militar de Goiás (PM) investiga um suposto esquema de corrupção, com propina e tráfico de influência, nos colégios militares do estado, e coloca o deputado estadual Coronel Adailton (Solidariedade), que é oficial reformado da Polícia Militar e ex-chefe da Casa Militar de Goiás, como “articulador” e alvo principal.
“A interferência do deputado Coronel Adailton e de sua esposa, capitã Elizete, é muito grande. Não se consegue movimentar diretores e há, inclusive, articulação nas vagas de novos alunos oferecidas essas unidades escolares. A escolha dos diretores dos colégios militares passava sempre pelo crivo do deputado estadual”, informa trecho do relatório.
As apurações da PM investigam se Adailton e sua esposa, a capitã Elizete Jacinto, influenciaram promoções de agentes nessas instituições de ensino com a contrapartida de retorno financeiro, como doações de campanha ao cargo de deputado.
De acordo com o documento obtido pela coluna de Paulo Capelli, no Metrópoles, a divisão de Inteligência da PM destaca que Coronel Adailton cobrou aproximadamente R$ 5 mil de oficiais para que fossem nomeados diretores dessas escolas. Empossados nos cargos, os militares retribuíam a indicação e faziam doações eleitorais para a campanha do político.
Ainda segundo as apurações, o deputado teria influenciado em nomeações de diretores em pelo menos 19 colégios militares em Goiânia, Aparecida de Goiânia, Anápolis, Goianápolis, Pirenópolis, Goianésia, Senador Canedo e Jaraguá.
Conforme o documento, em 2013, Adailton foi nomeado chefe da Casa Militar no governo de José Eliton, onde ficou até 2017, período em que ganhou força como influência política. Nesse ano foi eleito para o primeiro mandato como deputado, com 11.616 votos.
Em 2022, o deputado conseguiu renovar seu mandato, pelo PRTB, com 25,6 mil votos. Desde que entrou na Assembleia Legislativa de Goiás, Adailton atuou em defesa dos colégios militares.
Em 2018, o então tenente-coronel Luciano Souza Magalhães assumiu a direção do colégio Militar Cezar Toledo em Anápolis. Luciano, promovido a tenente-coronel em 2022, doou R$ 20 mil à campanha de Adailton, que concorreu à reeleição naquele ano e foi reeleito.
Adailton exerceu influência nos colégios militares através do tenente-coronel Luciano Souza Magalhães, que foi Comandante de Ensino da Polícia Militar de 2021 até abril deste ano, quando foi exonerado por Ronaldo Caiado um mês antes de o documento produzido pela Inteligência da PM chegar oficialmente ao gabinete do governador.
Outro lado
Procurada, a assessoria de Coronel Adailton afirmou que, como o deputado “desconhece o teor do relatório”, não irá se pronunciar no momento.
A Polícia Militar de Goiás confirma que foi instaurado um inquérito policial para apuração dos fatos. A corporação disse ainda que tem “compromisso com a legalidade” e “não tolera qualquer desvio de conduta por parte de seus membros”
Com informações Coluna Paulo Cappelli - Metrópoles

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