Defesa de Caiado e Mabel apresenta recurso contra "cassação" e pede "nulidade" de sentença
Defesa contestou vigorosamente esses argumentos da sentença, afirmando que os encontros no Palácio das Esmeraldas possuíam caráter "institucional" e não estavam relacionados à campanha

Os advogados do prefeito eleito de Goiânia, Sandro Mabel, de sua vice, Cláudia Lira, e do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, apresentaram, na noite desta quinta-feira (12), recurso eleitoral contra a sentença que cassou a chapa de Mabel e determinou a inelegibilidade de ambos os gestores, incluindo o governador. A sentença, emitida pela juíza Maria Umbelina Zorzetti, da 1ª Zona Eleitoral de Goiânia, apontou abuso de poder econômico durante as eleições municipais deste ano, gerando repercussão política e jurídica na capital goiana.
Na visão da magistrada, encontros realizados durante o período eleitoral no Palácio das Esmeraldas, sede oficial do governo do estado, caracterizaram-se como uso indevido de recursos públicos e abuso de poder, desrespeitando os limites do processo eleitoral.
No entanto, a defesa dos gestores contestou vigorosamente esses argumentos, afirmando que os encontros possuíam caráter "institucional" e não estavam relacionados à campanha eleitoral.
No recurso protocolado, os advogados alegaram que "não houve qualquer configuração de abuso de poder econômico e tampouco uso de bens públicos em favor da campanha eleitoral" e enfatizaram que as premissas da sentença são "equivocadas". Segundo o documento assinado pela defesa, "os encontros realizados junto a lideranças políticas e autoridades tiveram natureza estritamente institucional, sem qualquer pedido de votos ou finalidade eleitoral".
A linha argumentativa central da defesa destaca que ações administrativas legítimas e inerentes ao exercício do poder executivo não podem ser interpretadas como atos de campanha.
"Ao contrário do que entendeu a sentença recorrida, não há que se falar em conduta vedada praticada pelos recorrentes […], visto que as reuniões no Palácio das Esmeraldas ocorreram dentro das prerrogativas institucionais de ambos os gestores", pontua a peça jurídica apresentada à Justiça Eleitoral.
Os advogados também afirmaram que a condenação promove uma leitura distorcida dos eventos ocorridos, reforçando que não houve beneficiamento direto ou indireto da campanha de Sandro Mabel e Cláudia Lira.
Além de refutar as acusações de abuso de poder, o recurso protocolado traz uma grave denúncia sobre o que a defesa classificou como "cerceamento do direito de defesa", bem como violação ao "princípio da não surpresa", previsto no Código de Processo Civil (CPC). Segundo os advogados, novos documentos juntados ao parecer final do Ministério Público Estadual (MPE) foram utilizados para fundamentar a sentença de cassação sem que a defesa tivesse acesso a eles durante o processo.
"Ora, a defesa não teve acesso a nenhum dos documentos juntados no parecer final do MPE, utilizados para fundamentar a sentença recorrida, o que configura claro cerceamento de defesa da defesa, motivando o provimento do recurso ora interposto", argumenta a peça jurídica.
Ainda segundo o texto, o princípio da não surpresa – que visa garantir que nenhuma decisão judicial seja baseada em elementos inesperados ou não debatidos entre as partes – teria sido completamente desrespeitado, pois os advogados dos recorrentes não foram notificados sobre os novos documentos apresentados nos autos.
A defesa solicita a nulidade da sentença com base nesses elementos, requerendo, inclusive, que o caso seja reanalisado e uma nova sentença seja proferida, garantindo os princípios do contraditório e da ampla defesa.
Além disso, os advogados ressaltaram que, ao admitir a juntada desses documentos sem prévia ciência da defesa, a juíza incorreu em um erro processual grave, que comprometeu a lisura e a legitimidade da condenação.
"Tal decisão fere a própria essência do devido processo legal, gerando vícios insanáveis que tornam nula a decisão recorrida", contestaram.
Agora, o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) será o responsável por analisar o recurso apresentado pela defesa. A expectativa é que o julgamento aconteça ainda nas próximas semanas, dada a importância do caso para o equilíbrio político no estado.

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