Defesa de Bolsonaro consegue autorização para acompanhamento médico na prisão domiciliar
A decisão foi tomada após solicitação da defesa de Bolsonaro, que alegou agravamento em seu estado de saúde.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que médicos indicados por Jair Bolsonaro (PL) acompanhem o ex-presidente durante sua prisão domiciliar, sem necessidade de comunicação prévia à Corte. A decisão foi tomada após solicitação da defesa de Bolsonaro, que alegou agravamento em seu estado de saúde.
Na mesma decisão, Moraes destacou que, caso haja necessidade de internação urgente por recomendação médica, o STF deverá ser informado em até 24 horas, com apresentação de comprovação. “Havendo necessidade de internação urgente do custodiado por determinação médica, o juízo deverá ser informado em até 24 horas de sua efetivação, com a devida comprovação”, determinou o ministro.
Segundo a coluna de Igor Gadelha, do portal Metrópoles, o ex-presidente enfrenta uma piora em uma crise de soluço. Entre os médicos autorizados a prestar atendimento estão Cláudio Birolini, responsável pela última cirurgia de Bolsonaro, Luciana de Almeida Costa Tokarski, Eramos Tokarski e Leandro Santini Echenique.
Prisão domiciliar e publicação polêmica
A prisão domiciliar de Bolsonaro foi determinada por Alexandre de Moraes após a divulgação de um vídeo nas redes sociais, em que o ex-presidente aparece discursando durante manifestações em seu apoio. O conteúdo foi gravado e publicado por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e posteriormente apagado.
Durante o ato realizado em Copacabana, no Rio de Janeiro, Flávio ligou para o pai, que discursou por telefone: “Obrigado a todos. É pela nossa liberdade. Pelo nosso Brasil. Sempre estaremos juntos”, declarou Bolsonaro aos apoiadores. Manifestações também ocorreram em outras capitais, como Brasília e São Paulo.
O STF considerou que a participação do ex-presidente no episódio configura violação das medidas cautelares já impostas anteriormente.
PF investiga uso de celular e tentativa de obstrução
A Polícia Federal iniciou a análise do conteúdo de um novo telefone celular apreendido com Bolsonaro, um Samsung Galaxy S24, recolhido no momento em que ele chegava à sua residência, no Jardim Botânico, em Brasília. O procedimento está sendo conduzido por delegados da Diretoria de Inteligência Policial (DIP), responsável por inquéritos envolvendo Bolsonaro e aliados.
O objetivo da perícia é verificar se houve envolvimento direto do ex-presidente na divulgação do vídeo postado por Flávio Bolsonaro. Caso a análise aponte indícios de orientação ou participação ativa, o senador pode ser investigado por tentativa de obstrução de Justiça.
O ministro Moraes também afirmou que Bolsonaro infringiu novamente as medidas cautelares, entre elas a proibição de uso de celulares. Este é o segundo aparelho apreendido com o ex-presidente. O primeiro foi confiscado em 18 de julho, quando também foi determinada a instalação de tornozeleira eletrônica.
Com o novo descumprimento, Moraes determinou a prisão domiciliar imediata de Jair Bolsonaro, reforçando as restrições e avançando nas investigações sobre possíveis interferências nas apurações em curso.

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