De helicóptero a sequestro fake: Peixoto transforma Alego em circo e o eleitor em palhaço
Se a função de presidir a Assembleia Legislativa é seriedade e equilíbrio, o deputado prefere o caminho da pirotecnia e da irreverência deslocada em busca de like

O presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, deputado estadual Bruno Peixoto (União Brasil), conseguiu transformar um anúncio sério em espetáculo de mau gosto e virou notícia negativa em todo o país. Para divulgar que a Fundação Getúlio Vargas (FGV) será a responsável pelo concurso público da Casa, o parlamentar resolveu seguir uma “trend” das redes sociais que simula um sequestro e tortura.
O problema é que Peixoto, chefe do Legislativo estadual, ignorou a liturgia do cargo e decidiu encenar justamente um afogamento — método de tortura usado durante a ditadura militar. Em nome de “alcance” e “engajamento”, o presidente da Alego reduziu a comunicação institucional a uma piada de mau gosto com um dos episódios mais sombrios da história brasileira.
Questionado após a repercussão negativa, o deputado limitou-se a dizer que copiou a ideia de um prefeito e que o objetivo de marketing foi atingido.
“Um ou outro acaba interpretando de maneira diferente”, minimizou, como se banalizar a violência fosse apenas detalhe de interpretação. Pediu “desculpas” protocolarmente, mas não demonstrou reconhecer a gravidade do ato.
A reação foi imediata. “Nem ele, nem ninguém precisaria recorrer a algo que nos remete a uma apologia da violência”, criticou Cássio Thyone, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública em entrevista à Globo. E completou: “A nossa sociedade já é violenta o suficiente para que representantes públicos reforcem isso em tom de humor”.
Não foi a primeira vez que Bruno Peixoto se expôs ao ridículo. Em outro vídeo, igualmente constrangedor, o presidente da Assembleia simular estar pendurado em um helicóptero para anunciar salários de servidores, transformando a seriedade da gestão pública em circo de autopromoção.
A postura do parlamentar levanta uma questão incômoda: até onde a busca por likes pode justificar o esvaziamento da responsabilidade política? Se a função de presidir a Assembleia é seriedade e equilíbrio, Peixoto prefere o caminho da pirotecnia e da irreverência deslocada. Goiás, no entanto, não precisa de um influenciador caricato, mas de um líder à altura do cargo.

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