Datafolha mostra Lula e Flávio colados antes do escândalo com Daniel Vorcaro
Disputa pelo Planalto está rachada ao meio com empate técnico de 45% no segundo turno

Se a eleição para presidente fosse hoje, o Brasil estaria rachado exatamente ao meio. A fotografia mais recente das urnas, revelada pela nova pesquisa Datafolha, mostra o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) grudados com 45% dos votos cada um em uma simulação de segundo turno. Veja o vídeo no final da reportagem
Mas essa foto tem um detalhe crucial que muda tudo: o levantamento foi feito na terça (12) e na quarta-feira (13), ou seja, a maioria das pessoas respondeu aos pesquisadores antes de o país inteiro descobrir o caso "Dark Horse" — o vazamento das conversas íntimas em que Flávio aparece bajulando e pedindo dinheiro para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. É o chamado "empate antes da tempestade".
Como a margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, os dois estão em empate técnico absoluto. O levantamento ouviu 2.004 pessoas em 139 cidades brasileiras e está registrado no TSE sob o código BR-00290/2026.
Lula se isola na liderança contra os "vices" da direita
Se contra o filho de Jair Bolsonaro a briga é voto a voto, contra os outros nomes da direita Lula conseguiu respirar e abrir vantagem. Nas simulações anteriores, o atual presidente estava empatado com todo mundo, mas agora ele conseguiu passar à frente dos ex-governadores que correm por fora:
Contra Romeu Zema (Novo-MG): Lula tem 46% contra 40% do mineiro.
Contra Ronaldo Caiado (PSD-GO): Lula marca 46% contra 39% do goiano.
Zema acabou perdendo fôlego após focar seus discursos em ataques aos ministros do STF, o que o fez virar alvo da Procuradoria-Geral da República. Já Lula passou o último mês fazendo agrados para o bolso do eleitor, como derrubar a "taxa das blusinhas" importadas e segurar o preço da gasolina na marra.
Quem decide a eleição está abandonando o barco de Lula
O dado mais aceso e perigoso da pesquisa para o Palácio do Planalto está no comportamento do "eleitor do meio" — aquele cidadão que nem é petista roxo e nem bolsonarista doente (o chamado eleitor nota 3).
Esse grupo de independentes é quem decide a eleição. E o sinal amarelo acendeu para o governo: em abril, Lula vencia Flávio nesse grupo por 42% a 36%. Agora, a situação virou e Flávio passou para a frente com 38% contra 32% de Lula. É uma tendência de queda que preocupa os analistas do PT.
O raio-X de cada candidato: Quem vota em quem?
A pesquisa desenhou perfeitamente onde fica o exército de eleitores de cada lado em um eventual segundo turno:
O voto de Flávio Bolsonaro é mais forte entre: Homens (50%), jovens de 25 a 34 anos (50%), pessoas com faculdade (51%), quem ganha mais de 10 salários mínimos (58%), empresários (71%), evangélicos (61%) e moradores do Sul do país (59%).
O voto de Lula é mais forte entre: Mulheres (48%), idosos com mais de 60 anos (52%), quem tem apenas o ensino fundamental (57%), quem ganha até dois salários mínimos (52%), estudantes (64%), moradores do Nordeste (60%), negros (59%) e católicos (54%).
A rejeição de ambos continua altíssima e empacada: 47% dos brasileiros dizem que não votam em Lula de jeito nenhum, enquanto 43% dizem o mesmo sobre Flávio Bolsonaro.
Como a pesquisa reflete apenas os dias em que foi feita, o mercado político agora aguarda o próximo levantamento para saber o tamanho do estrago que os gritos de "pega ladrão" e as denúncias do Banco Master vão fazer nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro.

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