Congresso aprova crédito de R$ 15,2 bilhões para compensar perdas de arrecadação dos estados e municípios
Em outubro, cerca de 150 prefeitos goianos estiveram em Brasília, de "pires na mão", para intensificar junto ao Congresso Nacional e ao governo federal o enfrentamento da crise financeira

O Congresso Nacional aprovou o projeto (PLN 40/23) que abre um crédito especial de R$ 15,2 bilhões no Orçamento de 2023 para compensar estados e municípios por perdas de arrecadação, além de remanejar recursos entre ministérios. Os parlamentares ressaltaram a urgência de aprovar a proposta neste final de ano, quando muitos prefeitos estão com dificuldades para fechar as contas. O texto segue para sanção.
Entre os dias 3 e 4 de outubro, em Brasília, cerca de 150 prefeitos goianos e demais agentes municipais estiveram na capital federal para intensificar junto ao Congresso Nacional e ao governo federal o enfrentamento da crise financeira enfrentada pelos municípios. A estimativa foi feita pelo presidente da AGM, Carlão da Fox (PSD), prefeito de Goianira (Região Metropolitana de Goiânia). Ele usa como parâmetro o encontro de prefeitos ocorrido na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), em 13 de setembro.
Carlão acredita que os prefeitos das grandes cidades também vão aderir ao movimento. “O aperto é para todos, o sapata está curto para todo mundo, acredito que a maior parte vá”, diz. Dentre eles, o prefeito de Anápolis, Roberto Naves (PP), confirmou que irá à Brasília durante a mobilização. Roberto foi responsável por articular um encontro de cerca de 40 prefeitos em Anápolis, no fim de agosto.
Ao DM Anápolis, o prefeito disse que fará coro aos demais gestores municipais na capital federal. “Acho que é importante neste momento cobrar do governo federal mais recursos para a população. Se não tem recurso, como vai dar aumento para o servidor público? Vai atrasar a folha de pagamento? Se os municípios não têm dinheiro, quem fica prejudicada é a população”, sublinha Naves.
O projeto aprovado pelo Congresso estabelecia originalmente um crédito especial de R$ 207,4 milhões no Orçamento de 2023 para atender os ministérios da Agricultura e Pecuária; da Educação; da Justiça e Segurança Pública; dos Transportes; da Cultura; da Defesa; e de Portos e Aeroportos.
O governo enviou então uma mensagem modificando o texto e incluindo R$ 15 bilhões para a compensação de perdas, já aprovada em lei complementar (LC 201/23). Deste total, R$ 8,7 bilhões devem amenizar as perdas dos estados com a redução do ICMS de combustíveis e outros serviços em 2022.
Outros R$ 6,3 bilhões estão relacionados às perdas dos fundos de participação dos estados e municípios (FPE e FPM) na arrecadação geral.
Déficit menor
O deputado Mauro Benevides (PDT-CE), relator do projeto, explicou que existe espaço fiscal no Orçamento de 2023 porque o déficit das contas públicas está R$ 75 bilhões inferior à meta anual, que é de R$ 216,4 bilhões.
Pela liderança da Minoria, a deputada Bia Kicis (PL-DF) afirmou, porém, que as contas públicas não estão equilibradas.
“Nós estamos votando favoravelmente porque vai ajudar as contas dos municípios, isso é justo. Mas quanto tempo isso vai durar?”
Para o deputado Pedro Uczai (PT-SC), o governo está atendendo às necessidades da população dentro dos limites fiscais.
“Porque é lá no município, lá nos estados, que o povo está vivendo e reivindicando mais saúde, mais educação, mais assistência e infraestrutura.”
Remanejamentos
Os recursos destinados a ministérios serão viabilizados por remanejamentos internos do governo. Eles devem afetar ações do projeto Calha Norte, do Ministério da Defesa; obras rodoviárias e o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar.
Segundo o governo, os cancelamentos não devem prejudicar essas ações porque estão de acordo com a projeção de execução até o final do ano. Alguns destes ministérios receberão outras dotações.
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Quem será beneficiado
Os créditos para ministérios beneficiarão as seguintes ações:
- Agricultura e Pecuária: ajuda de custo para moradia de agentes da Embrapa;
- Educação: pagamento de despesas com auxílio-moradia na Universidade Federal Fluminense;
- Justiça e Segurança Pública: contratação de empresa de engenharia ou arquitetura para construir a nova sede da Delegacia de Polícia Federal de Ponta Porã (MS), e de empresa para executar a obra do Pátio Multipropósito da Superintendência Regional de Polícia Federal do Rio de Janeiro; e capacitação de profissionais e gestores de segurança pública por meio do projeto Bolsa Formação - Pronasci 2;
- Transportes: construção de terminais fluviais nos municípios de Abaetetuba, Augusto Corrêa, Cametá e Belém, no Pará; construção de edificação para recepção de passageiros do Porto de Maceió (AL); dragagem em portos nas regiões Nordeste e Sul; implantação de postos de pesagem em Goiás; e obras rodoviárias em sete estados;
- Cultura: pagamento da contribuição à Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI); e contrato de gestão para redução da dívida da Cinemateca Brasileira;
- Defesa: infraestrutura básica nos municípios da região do Calha Norte;
- Portos e Aeroportos: reforma e reaparelhamento dos aeroportos de Santa Rosa (RS) e Ariquemes (RO).
Fonte: Agência Câmara de Notícias
Reivindicações dos prefeitos goianos
Entre as pautas que devem ser foco da atuação do movimento municipalista na capital federal está a aprovação do repasse adicional de 1,5% do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) para o mês de março, previsto na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 25/2022, que aguarda análise na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados.
A convocação foi reforçada pelo presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, que destacou a necessidade da presença de todos os gestores do país. “Precisamos dar sequência ao nosso trabalho porque as dificuldades são imensas. O comparecimento de cada prefeito e prefeita será decisivo no próximo mês para que a nossa pauta possa avançar”, enfatizou o líder municipalista.

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