Comurg superfaturava corte de grama para receber mais da prefeitura
A dificuldade em fiscalizar serviços como poda e corte de grama, conforme Mabel, tornava a prática ainda mais difícil de detectar.

A Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) mantinha um esquema de superfaturamento em serviços como o corte de grama para inflar as faturas apresentadas à Prefeitura, segundo o prefeito Sandro Mabel (UB). Durante coletiva de imprensa, ele detalhou como a atual gestão identificou práticas irregulares que envolviam desde rachadinhas até contratos de honorários advocatícios milionários, todos sob um “manto de corrupção”, como classificou.
Segundo ele, a forma como os contratos eram gerenciados favorecia o superfaturamento. Tem serviço aqui que nós estamos fazendo um milhão e meio de metros quadrados por mês, eles jogavam na nota sete milhões, poda de grana.” Questionado se o serviço era superfaturado, confirmou. “Superfaturado então? Sim, superfaturado.”
A dificuldade em fiscalizar serviços como poda e corte de grama, conforme Mabel, tornava a prática ainda mais difícil de detectar. “Não tem como medir se a grama foi cortada ou não, não tem como medir, a grama cresceu outra vez, não tem como fazer. E assim eram em várias áreas que nós detectamos como que eram feitas as despesas", apontou o prefeito.
Cartilha da corrupção
De acordo com o prefeito, as irregularidades eram tão enraizadas que chegavam a funcionar como uma “cartilha” não oficial para quem ingressava na companhia. Mabel citou que advogados envolvidos em supostas rachadinhas continuaram atuando dentro da estrutura da companhia.
Mabel revelou que auditorias internas compararam os gastos dos primeiros meses de sua gestão com o mesmo período do ano anterior e constataram discrepâncias alarmantes. Ele citou também exemplos de superfaturamento em outros setores da Comurg. O prefeito ainda revelou que boa parte do jurídico da Comurg atuava de forma conivente, inclusive junto a sindicatos.
“A compra de combustível aqui era complicada, abastecimento era não sei quanto, saco de lixo comprava por quase quatro vezes o preço que nós estamos pagando. Então, era uma série de corrupção que existia aqui dentro, que era um manto de corrupção total", pontuou Mabel.
Jurídico corrompido
A Prefeitura afirma estar conseguindo reduzir despesas e organizar a companhia, mesmo sofrendo ameaças. Mabel também mencionou o pagamento de honorários considerados abusivos. O envolvimento era tão amplo - ainda de acordo com o que foi dito na coletiva -, que até membros do Judiciário teriam se espantado com a forma como os processos eram conduzidos.
“A parte nossa jurídica, o corpo de advogados da empresa, uma boa parte deles, e o sindicato, trabalharam juntos e eram sócios. Fizeram R$ 12 milhões de honorários, uma causa que a comunidade já tinha ganho, praticamente. Com essa reestruturação, Sandro Mabel afirma que a Prefeitura pretende combater a corrupção histórica e garantir que a Comurg volte a prestar serviços com eficiência e sem desperdício de recursos públicos.

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