Com uma semana de gestão, nova secretária de saúde de Goiânia entrega cargo
Cynara Mathias, que assumiu a vaga de Pollara, preso em operação do MP, entregou o cargo na manhã desta quarta-feira (04) e foi seguida por toda a equipe da Saúde municipal

Prefeitura de Goiânia enfrenta mais uma "bomba" na manhã desta quarta-feira (4). Cynara Mathias, que havia assumido a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) há apenas uma semana, entregou o cargo, seguida por toda a equipe, que também colocaram seus cargos à disposição. A decisão, tomada em meio ao agravamento da crise de saúde da capital, mergulha a SMS em um caos maior de instabilidade, deixando as ações emergenciais e a equipe de transição em compasso de espera.
Servidora pública efetiva com 25 anos de carreira, Cynara Mathias assumiu a secretaria após a saída de seu antecessor, Wilson Pollara, que foi preso durante a operação "Comorbidade" do Ministério Público de Goiás (MP-GO). A prisão de Pollara, que também levou à investigação de outros membros de sua equipe, expôs o que já era evidente há meses: o colapso completo do sistema público de saúde da capital, agravado pela falta crônica de insumos básicos, medicamentos essenciais e leitos de UTI.
A renúncia repentina de Cynara, somada à saída coletiva de sua equipe, adiciona mais um capítulo dramático a uma crise sanitária e administrativa sem precedentes.
Segundo fontes internas, o clima de pressão, caos e falta de estrutura teria sido o fator central para a decisão de Cynara Mathias de entregar o cargo. O curto período de sua gestão foi marcado por intensas tentativas de reorganizar a secretaria e mitigar os danos deixados pela administração anterior, mas o tempo, aliado à extrema complexidade dos problemas herdados, tornou a missão impraticável.
Com a Saúde municipal em colapso, Cynara chegou ao cargo com a difícil tarefa de reconstruir a credibilidade da SMS e, simultaneamente, lidar com altos índices de desnutrição hospitalar, escassez de insumos médicos, indisponibilidade de antibióticos e um histórico de mortes por falta de leitos de UTI.
Um dos principais impactos da saída da secretária é que está marcada, para próxima sexta-feira (6), reunião da equipe de transição, onde seriam apresentadas todos os dados da Secretaria de Saúde e a avaliação da Pasta. De acordo com informações obtidas, Cynara e sua equipe estavam em fase final de preparação das informações, as quais seriam apresentadas ao prefeito eleito Sandro Mabel, que assumirá o cargo em janeiro de 2025.
"A saída da secretária pega todos de surpresa, e certamente vai impactar a transição. Tudo estava alinhado para a reunião de sexta-feira. Agora, há um enorme vazio institucional. Não sabemos como será feita a apresentação dos dados essenciais da saúde, que é um dos setores mais críticos da cidade", lamentou um funcionário de alto escalão do Executivo municipal que preferiu não se identificar.
A herança de caos deixada pela gestão anterior
O colapso na saúde de Goiânia se tornou uma questão de intensa atenção pública após a prisão e investigação do ex-secretário Wilson Pollara. À frente da SMS desde o início do atual mandato, Pollara foi alvo de múltiplas denúncias que culminaram na operação "Comorbidade", deflagrada pelo Ministério Público de Goiás no mês passado. Ele é acusado de irregularidades na gestão da saúde municipal, incluindo malversação de verbas públicas, negligência administrativa e, segundo relatos, uso indevido de recursos destinados à compra de medicamentos e insumos hospitalares.
Os efeitos de sua gestão são amplamente sentidos: hospitais sob administração municipal sofrem com escassez de insumos básicos, como seringas, gases hospitalares e antibióticos. Além disso, a insuficiência de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) acentuou o drama da saúde, causando mortes que poderiam ter sido evitadas com uma gestão minimamente funcional.

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