Com salário de R$ 37 mil, médico da Prefeitura de Goiânia ficou sete anos sem trabalhar
Prefeito Sandro Mabel denuncia abusos e firma parceria com Sesi para dar fim à farra de atestados entre servidores

Um médico da Prefeitura de Goiânia recebeu salário de R$ 37 mil por mês mesmo estando afastado do trabalho há sete anos. O caso foi revelado pelo prefeito Sandro Mabel (UB) nessa quarta-feira (30), durante evento no Paço Municipal, e escancara um problema antigo na administração pública: licenças médicas abusivas, servidores que batem ponto e vão embora e o uso do cargo público como privilégio, não como dever. Vídeo no final do texto
“Voltou um médico que estava há sete anos de licença, ganhando R$ 37 mil por mês. E assim eu tenho 10 mil funcionários que batem o ponto e vão embora. Isso não pode continuar”, desabafou o prefeito.
A declaração foi feita no momento em que Mabel defendia a parceria entre a prefeitura e o Sesi Goiás para realizar perícias médicas nos servidores municipais. O objetivo, segundo ele, é dar um basta na farra dos atestados falsos, nas licenças prolongadas sem justificativa e no uso indevido do sistema público por servidores que não cumprem o horário.
“Não podemos deixar de atender à população por falta de pessoal. Precisamos homologar atestados de forma séria. Tem servidor que bate ponto e sai cinco minutos depois pra ir atender no consultório particular”, criticou.
O prefeito afirmou que mais de 10 mil atestados estavam parados na junta médica da prefeitura, e denunciou que o setor não funcionava com eficiência.
Além das perícias com o Sesi, Mabel também anunciou que será implantado um sistema de ponto facial e monitoramento por câmeras nas unidades de trabalho, com uso de inteligência artificial para detectar irregularidades.
“O serviço público não é lugar pra ganhar sem trabalhar. Tem estabilidade? Tem. Tem aposentadoria? Tem. Mas tem que trabalhar”, reforçou.
A parceria com o Sesi foi formalizada com a assinatura do contrato no mês de abril. O acordo prevê agilidade na avaliação dos afastamentos médicos, controle mais rigoroso sobre a presença dos servidores e redução de custos com licenças injustificadas.

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