Com fracasso do PSDB de Perillo nas eleições de 24, Cidadania rompe federação
Comte Bittencourt, presidente nacional do Cidadania, afirma que experiência federativa não foi positiva e partido deve buscar novo rumo político antes das eleições de 2026

O presidente nacional do partido Cidadania, Comte Bittencourt, afirmou que a legenda dificilmente manterá a federação formada com o PSDB em 2022, sinalizando um divórcio político que deverá ocorrer até o primeiro semestre de 2026, prazo em que se encerra oficialmente o acordo federativo entre os dois partidos. A decisão, segundo Bittencourt, reflete um sentimento predominante dentro da sigla, que deseja adotar “um caminho mais independente” e repensar seu posicionamento político no cenário nacional.
"O sentimento predominante é caminhar separadamente"
Em entrevista, Bittencourt explicou que a decisão de romper a federação será resultado de um debate mais profundo e estruturado dentro da cúpula do Cidadania, diferente do processo que levou à federação com o PSDB em 2022. Na visão dele, a falta de um debate mais sólido sobre programas e projetos conjuntos foi um dos principais problemas que comprometem a continuidade da parceria.
“Dificilmente ficaremos na federação com o PSDB, mesmo se eles se juntarem a outros partidos, porque a experiência federativa não foi boa. O centro do nosso problema foi não ter feito o debate de programa e de projeto. A avaliação predominante entre os nossos companheiros é de poder discutir um rumo futuro”, afirmou o presidente nacional da sigla.
Ainda de acordo com Bittencourt, o debate interno sobre o futuro da federação ocorrerá entre fevereiro e março de 2025, e a decisão será tomada com respeito à trajetória e à relevância do PSDB no cenário político.
“Será uma decisão com todo o respeito que o PSDB merece, mas o sentimento predominante é de caminharmos separadamente”, reforçou.
A federação entre Cidadania e PSDB foi firmada durante a corrida eleitoral de 2022 com o objetivo de unificar forças em um momento de retração da relevância de partidos tradicionais do campo da centro-direita no cenário político brasileiro. Contudo, de acordo com Bittencourt, as diferenças de projetos e visões se sobrepuseram às expectativas e mostraram os desafios de se conduzir uma federação.
“Vamos fazer um debate com um pouco mais de profundidade, algo que não ocorreu em 2022. Esse é um dos aprendizados da experiência federativa que tivemos. Em um cenário fragmentado como o da política brasileira, é preciso adotar uma abordagem mais estratégica, o que não conseguimos implementar corretamente nesse primeiro momento”, explicou Comte.
A avaliação predominante é de que, embora a federação tenha oferecido benefícios estruturais, como a unificação de recursos partidários e tempo de TV, ela não conseguiu alinhar de maneira coesa posicionamentos políticos e projetos concretos, enfraquecendo a parceria institucional entre as legendas.
PSDB sob tensão interna e incertezas para 2026
As declarações de Comte Bittencourt ocorrem em um momento no qual o PSDB tenta definir seu rumo futuro. Desde 2022, o partido vem enfrentando desafios para reorganizar sua base após resultados eleitorais aquém do esperado e a perda de protagonismo no cenário político nacional. Segundo apuração, os tucanos anunciarão em março de 2025 qual será o novo destino da legenda, considerando opções como novas federações, fusões ou até mesmo incorporações partidárias.
Na última semana, o presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo, confirmou que conversas estão em andamento para explorar todas as possibilidades. A perda de um aliado como o Cidadania, no entanto, pode enfraquecer a capacidade do partido de atrair novas articulações.
Bittencourt afirmou que já discutiu o tema do rompimento federativo diretamente com Marconi Perillo e que os diálogos foram respeitosos, mas inevitáveis. “Esse sentimento de separação não é novo, e já foi tema de conversa com o presidente do PSDB. Nossa decisão será tomada com base no que é melhor para o Cidadania, sem qualquer tipo de atrito ou desrespeito”, disse.
Hoje, o Cidadania conta com uma bancada de cinco deputados na Câmara Federal e busca um novo ciclo de fortalecimento para as eleições de 2026. De acordo com Comte Bittencourt, o partido já está em conversas preliminares com outras legendas, mas essas articulações só ganharão força real após a definição pelo rompimento da federação com o PSDB.
“Conversa é um processo natural na política. Estamos analisando opções, mas não há nada definido. O primeiro momento é decidir não continuar na federação. Em seguida, abriremos o debate para ver qual será o caminho. Em 2026, queremos estar organizados e alinhados com um projeto que represente o melhor para o nosso partido e para o Brasil”, acrescentou o presidente do Cidadania.
Bittencourt também destacou que o partido está priorizando um posicionamento próprio que reflita sua identidade política e seus valores. O objetivo da sigla, segundo ele, é buscar protagonismo em um cenário no qual o centro político no Brasil está cada vez mais fragmentado.

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