Com caixa quase zerado e risco a serviços essenciais, Iporá decreta calamidade financeira
Prefeitura revela dívida de mais de R$ 92 milhões, caixa quase zerado e corta gastos para evitar colapso

A Prefeitura de Iporá decretou situação de calamidade financeira após identificar um rombo superior a R$ 92 milhões nas contas públicas. A medida, oficializada pelo Decreto nº 184/2026, publicado na última segunda-feira (4), impõe cortes rigorosos e controle total dos gastos para tentar reequilibrar as finanças e evitar prejuízos ainda maiores à população.
A crise veio à tona com a publicação do decreto, que escancara um cenário fiscal crítico no município. Segundo o documento, a atual gestão, ao assumir em janeiro de 2025, encontrou os cofres praticamente vazios: apenas R$ 143 mil em recursos livres, valor insuficiente diante das obrigações milionárias já acumuladas.
Logo nos primeiros dias, a prefeitura precisou lidar com pendências pesadas deixadas pela gestão anterior. Um dos casos mais urgentes foi a folha de pagamento de dezembro de 2024, que somava R$ 8,7 milhões e acabou sendo quitada com atraso, evidenciando o descontrole financeiro.
Com o passar dos meses, o tamanho da crise ficou ainda mais evidente. Levantamentos técnicos apontaram dívidas significativas com instituições e fornecedores. Entre elas, débitos com o INSS que ultrapassam R$ 1,2 milhão e uma conta de energia elétrica com a Equatorial que passa de R$ 5,3 milhões.
A situação se agrava com bloqueios automáticos de recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Parte da receita já está comprometida por decisões judiciais e por um financiamento de R$ 5 milhões contratado em 2023, o que reduz ainda mais a capacidade de investimento da prefeitura.
Diante desse quadro alarmante, a administração municipal decidiu agir. O decreto determina a limitação imediata de empenhos e o corte de despesas em todos os órgãos da administração direta, fundos municipais e unidades que dependem do Tesouro.
Na prática, nenhum gasto público poderá ser realizado sem a comprovação de dinheiro em caixa e autorização prévia da Secretaria Municipal de Finanças. A medida é considerada extrema, mas necessária para conter o avanço da crise.
Apesar do aperto, a prefeitura afirma que os cortes são temporários e têm como prioridade preservar os serviços essenciais, como saúde e educação. A gestão reconhece que a situação é delicada: atualmente, as despesas obrigatórias já consomem praticamente toda a arrecadação mensal do município.
Agora, o desafio é reorganizar as contas, negociar dívidas e evitar que a crise financeira se transforme em um colapso nos serviços públicos que atingiria diretamente a população de Iporá.

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