CEI da Limpa Gyn conclui que falhas no serviço não configuram má-fé nem desvio de recursos
Apesar de afastar a existência de irregularidades graves, a CEI reconheceu vulnerabilidades na execução e na fiscalização do contrato.

Após três meses de trabalhos, a Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apurou a execução do contrato da limpeza urbana em Goiânia apresentou, nesta sexta-feira (19), o relatório final da investigação. O documento, elaborado pelo relator vereador Willian Veloso (PL), conclui que as falhas identificadas na prestação dos serviços pelo Consórcio Limpa Gyn não configuram má-fé, dolo ou desvio de recursos públicos, tampouco indicam a prática de crimes financeiros que justifiquem medidas judiciais.
Com 83 páginas, o relatório afirma que, com base no conjunto de provas reunidas — que inclui oitivas, análises documentais e diligências —, o consórcio “vem cumprindo todos os objetivos constantes no contrato firmado com a administração pública”. Por essa razão, diferentemente do que costuma ocorrer em comissões de inquérito, não foram propostos indiciamentos nem encaminhamentos para aprofundamento investigativo por outros órgãos de controle.
A leitura do relatório ocorreu em reunião esvaziada da CEI, realizada simultaneamente à Comissão Mista que analisava o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026. Estiveram presentes apenas o relator, o presidente da comissão, vereador Welton Lemos (SD), e o suplente Fabrício Rosa (PT). Por falta de quórum, o documento não foi votado. A apreciação ficou marcada para a próxima segunda-feira (22), às 14h.
Apesar de afastar a existência de irregularidades graves, a CEI reconheceu vulnerabilidades na execução e na fiscalização do contrato. Entre os principais pontos, o relatório aponta fragilidades nos métodos de medição dos serviços, especialmente a utilização da cubicagem — baseada em volume — em vez da tonelagem — baseada em peso —, o que, segundo o texto, torna o contrato mais suscetível a erros e dificulta o controle externo pelo Legislativo.
O relatório também destaca que a instalação da CEI provocou melhora perceptível na prestação do serviço, com redução significativa das reclamações e denúncias da população. No entanto, o relator alerta que esse avanço pode ser temporário caso não sejam adotadas medidas estruturais permanentes.
Recomendações
Para corrigir as falhas identificadas, a CEI apresentou um conjunto de recomendações à Prefeitura de Goiânia, à Agência de Regulação e ao próprio consórcio. Entre elas estão:
-
instalação de balanças e adoção definitiva da medição por tonelagem, conforme previsto em contrato;
-
revisão das medições e dos pagamentos da coleta seletiva;
-
recusa de pagamentos em caso de divergência entre a pesagem efetiva e os valores faturados;
-
condicionamento dos pagamentos à pesagem certificada e à emissão de termos de recebimento assinados;
-
adequação da mão de obra e ampliação do quadro de fiscais do contrato;
-
auditorias técnicas trimestrais;
-
registro e rastreamento das rotas da coleta;
-
padronização dos veículos utilizados;
-
perícia contábil e de engenharia;
-
divulgação pública de cronogramas de rotas e relatórios dos serviços;
-
criação de canal específico para denúncias e reclamações da população.
Na coleta seletiva, a CEI recomenda a implantação de sistemas eletrônicos para registro e rastreabilidade da entrega de materiais às cooperativas. Já na remoção de entulhos, o relatório aponta a ausência de mecanismos eficazes de fiscalização, o que torna parte da atividade “inauditável”.
Criada em agosto, a CEI da Limpa Gyn teve, inicialmente, forte tom político, com discursos que apontavam suspeitas de corrupção e desvios no contrato da limpeza urbana. Ao longo de 13 reuniões ordinárias, a comissão recebeu cerca de 20 caixas de documentos — mais de 23 mil páginas — e realizou 11 oitivas presenciais, além de oitivas virtuais com ex-integrantes da administração municipal.
A votação do relatório final está prevista para a próxima reunião da comissão.

Kitão quer levar debate sobre cannabis para Alego e uso da fibra na medicina
Candidato a deputado estadual, vereador quer usar experiência acumulada em Goiânia para levar discussão à Assembleia e ampliar políticas relacionadas à cannabis medicinal em Goiás

Pedro Sales desiste de candidatura a deputado federal em Goiás
Nos bastidores, Pedro Sales era apontado como um dos nomes cotados para integrar a chapa do PSD na disputa por uma cadeira na Câmara Federal.











