CEI apura "amizade" entre diretor e empresário que tem contrato milionário com a Comurg
Fabrício Sotto da Silva é amigo de Adriano Renato Gouveia e foi nomeado gestor do contrato 007/2022, no valor de cerca de R$ 170 milhões para a aquisição de combustíveis para abastecer a frota de veículos da Comurg

Durante a coleta de depoimentos da Comissão Especial de Inquérito da Comurg (CEI da Comurg) na Câmara Municipal, nesta segunda-feira (27), os vereadores apuraram informações sobre a relação entre Fabrício Sotto da Silva e Adriano Renato Gouveia, diretor-financeiro da Comurg. A CEI descobriu que Fabrício é amigo pessoal de Gouveia.
O depoimento de Gouveia durou cerca de uma hora e meia e foi prestado aos vereadores, que realizam investigações sobre a gestão financeira da Comurg. A descoberta da relação pessoal entre o diretor-financeiro e Fabrício pode levantar questões sobre possíveis conflitos de interesse na empresa.
De acordo com o Diário Oficial do Município, Fabrício Sotto da Silva foi nomeado gestor do contrato 007/2022, no valor de cerca de R$ 170 milhões de reais, para a aquisição de combustíveis para abastecer a frota de veículos da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), através de um contrato por demanda pelo Sistema de Registro de Preços, firmado com a Rede Sol Fuel Distribuidora S/A, vencedora da concorrência.
Para o vereador Ronilson Reis, presidente da CEI, a relação de amizade entre Fabrício e o diretor-financeiro da Comurg, Adriano Renato Gouveia, levantou suspeitas entre os vereadores da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Comurg.
“Gouveia é proprietário, sócio ou tem participação em empresas que prestavam serviços para a mesma rede de combustível, mas teria deixado as empresas após o contrato entrar em vigor.” Além disso, conforme Ronilson, chamou a atenção o fato de Gouveia ter trazido Fabrício de São Paulo, onde ambos são naturais e possuem uma relação de amizade, para se tornar o gestor deste contrato milionário.
“Vamos investigar e passar a limpo essa relação de amizade que envolve um contrato milionário”, afirmou o vereador Ronilson Reis. Gouveia disse que assumiu a diretoria financeira da Comurg há seis meses e que iniciou na empresa como Diretor de Planejamento. Segundo Gouveia, seu objetivo desde que assumiu o cargo tem sido aumentar a receita da Comurg e trabalhar na redução de custos. Ele também afirmou que recebe auxílio de produtividade por desempenhar função de chefia, mas não soube precisar o valor.
Além disso, Gouveia revelou que faz parte de duas comissões, uma delas destinada a trabalhar na redução de custos da empresa. Disse que a Comurg implementou o Compliance, mas que não identificou os problemas de gestão, quando questionado se as gratificações e os pagamentos irregulares haviam sido orientados pelo Compliance.
Os vereadores ainda questionaram sobre os recursos destinados ao Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e às obras do cemitério, os quais teriam sido pagos de forma antecipada, sem a entrega das obras.
IMAS
Ricardo Pinheiro Dourado, diretor administrativo financeiro do Instituto Municipal de Assistência à Saúde (IMAS), também prestou depoimento a CEI da Comurg, na Câmara de Goiânia. A CEI investiga irregularidades na COMURG e a falta de repasse de recursos ao IMAS.
Durante seu depoimento, Dourado abordou o acordo realizado em outubro de 2022, referente aos meses de janeiro a agosto de 2022, envolvendo o pagamento de uma dívida no valor de R$ 8,6 milhões pela COMURG ao IMAS. O acordo prevê o pagamento da dívida em oito parcelas, sendo que a primeira está prevista para ser paga em 31/03.
Dourado ressaltou que a falta de repasses da COMURG afeta as finanças e a capacidade do IMAS de prestar serviços de saúde aos seus beneficiários, e destacou que a companhia tem uma dívida mensal de R$ 1,3 milhão com o instituto. A falta de repasses vem sendo investigada pela CEI, que busca esclarecer as razões para o não pagamento da dívida e suas consequências para o atendimento à saúde dos beneficiários do IMAS.

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