Cavaleiro é expulso das Cavalhadas de Pirenópolis após oferecer "argolinha" a política da base de Caiado
A controvérsia sobre a expulsão é questionada, pois, segundo relatos, cavaleiros já haviam dedicado argolinhas a políticos de "Perillo" sem consequências tão severas

As Cavalhadas de Pirenópolis, uma tradicional manifestação cultural e religiosa que ocorre há quase dois séculos, tornaram-se o centro de uma controvérsia política nesta quinta-feira (12). O cavaleiro Paulo Geovane de Oliveira foi expulso após oferecer uma "argolinha" a Ynaê, a quem pontuou como "futura prefeita", e a declaração considerada partidária durante o evento.
Em um dos momentos das Cavalhadas, Paulo Geovane, durante a prova de tirar argolinhas, ofereceu simbolicamente uma argolinha a Ynaê, uma figura política da base do atual governador Caiado (UB), sugerindo que ela seria a futura prefeita de Pirenópolis. O gesto, embora em sua essência cultural, foi interpretado como um movimento político.
A controvérsia sobre a expulsão de Paulo Geovane tem sido particularmente questionada, pois, segundo alguns frequentadores do evento, anteriormente, cavaleiros já haviam dedicado argolinhas a políticos sem consequências tão severas. A diferença atual, segundo relatos, está no fato de que Ynaê está associada ao governador Caiado, enquanto episódios anteriores envolviam políticos ligados ao ex-governador Marconi Perillo, figura popular em Pirenópolis e entre os cavaleiros.
O Instituto Cultural Cavalhadas de Pirenópolis, juntamente com representantes dos Castelos Cristão e Mouro, anunciou a decisão de modo unânime de expulsar o cavaleiro. Afirmaram que a celebração deve manter seu caráter apartidário, isenta de influências políticas.
A Resposta das Cavalhadas
Em nota oficial, o Instituto ressaltou que a Cavalhada é uma manifestação cultural e religiosa que deve permanecer alheia às disputas políticas. Destacaram que o uso do espaço e símbolos do evento para promover interesses partidários vai contra os princípios que têm guiado esta tradição ao longo de sua longa história.
O Instituto também reconheceu que esta não foi a primeira vez que o cavaleiro utilizou o evento para promover agenda política, mas reiterou seu compromisso em proteger a integridade e neutralidade do evento.
Íntegra da nora do Instituto Cultural Cavalhadas de Pirenópolis
"O INSTITUTO CULTURAL CAVALHADAS DE PIRENÓPOLIS, juntamente com os representantes dos Castelos Cristão e Mouro, sob a liderança dos Reis e Embaixadores, vem a público informar que o senhor Paulo Geovane de Oliveira, não integra mais o quadro de cavaleiros das Cavalhadas de Pirenópolis-GO. A decisão foi tomada de forma unânime pelos Reis e Embaixadores, com o apoio de todos os demais cavaleiros, em conformidade com o Estatuto e o Regimento Interno, após a ocorrência de episódio que vai de encontro aos princípios que regem nossa tradição centenária. Durante determinado momento da Cavalhada, o ex-cavaleiro utilizou-se do microfone para fazer declaração de cunho politico partidário, relacionando a entrega simbólica de argolinha a potencial candidato político. Esclarecemos que o ato da entrega de argolinha não é o problema, mas sim o uso político e promoção feito em momento e espaço dedicados à cultura e à fé, de modo que, a manifestação gerou imediata reprovação por parte do público, que reagiu com vaias o espetáculo. Reforçamos que a Cavalhada é uma manifestação cultural e religiosa, com caráter apartidário. Ao longo de seus 199 anos, manteve-se acima de interesses políticos, sendo sustentada pelo povo pirenopolino, independentemente de partidos, governos ou gestores públicos. Válido salientar que infelizmente, esta não foi a primeira ocorrência. Já em outras ocasiões, o referido cavaleiro utilizou a estrutura e os símbolos da Cavalhada para promover interesses políticos, em desrespeito ao compromisso de neutralidade que se espera de todos os participantes. Diante disso, e visando preservar a integridade, o respeito e a seriedade da festa, foi decidido que o senhor Paulo Geovane de Oliviera não poderá mais representar o Castelo Mouro nem participar das encenações entre Mouros e Cristãos. Reafirmamos nosso compromisso com a fé, a cultura e o povo de Pirenópolis. A Cavalhada não é palco político — é expressão de tradição, união e devoção".

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