Carlos troca RJ por SC para eleições de 26 e “derruba” narrativa de “Flávio candidato a presidente”
Família tem vaga garantida para o Senado no Rio. Se Flávio Bolsonaro é mesmo candidato à Presidência, por que Carlos vai para SC?

O vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL) anunciou nesta quinta-feira (11) que renunciará ao mandato na Câmara Municipal do Rio para disputar uma vaga no Senado por Santa Catarina em 2026. A decisão foi comunicada em discurso no plenário.
“Parto dessa cidade com o coração cheio de saudade, mas também com a serenidade de quem sabe que está atendendo a uma missão maior, da qual sempre fiz parte. Vou para Santa Catarina para cumprir um chamado que eu não poderia realizar aqui”, disse.
A mudança de domicílio eleitoral reacendeu especulações no mundo político e financeiro: afinal, a candidatúra de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), à prêsidência é pra valer?
MOVIMENTOS DA FAMÍLIA
Nos bastidores de Brasília, o raciocínio é direto: todas as pesquisas internas apontam que a família Bolsonaro tem, hoje, uma vaga praticamente assegurada ao Senado pelo Rio em 2026.
Se Flávio estivesse realmente empenhado na corrida presidencial, argumentam interlocutores, não haveria razão para Carlos deixar o Rio, onde teria chances sólidas de eleição, para tentar um mandato em SC.
A única explicação plausível seria a “reserva de pista” para o irmão mais velho, que precisará renovar seu mandato no ano que vem.
Assim, a migração de Carlos ao Sul só faz sentido num cenário em que Flávio pretende concorrer novamente ao Senado pelo Rio, e não chegar até o fim com a candidatúra ao Planalto.
TENSÃO EM SANTA CATARINA
A ida repentina de Carlos para SC provocou ruído interno no bolsonarismo catarinense.
A deputada federal Caroline de Toni, até então um dos nomes cotados para a disputa ao Senado, reagiu mal ao movimento.
Na semana passada, Carlos publicou uma foto sorridente ao lado da deputada, numa tentativa de amenizar a turbulência. Não adiantou. Nesta semana, De Toni anunciou saída do PL e afirmou que tentará a vaga pelo Novo.
FLÁVIO ENTRE O PALANQUE E A INCERTEZA
A postura de Flávio Bolsonaro tem alimentado ainda mais dúvidas.
Ao lançar sua candidatúra à prês!dência, ele ganhou o apoio público do pai, Jair Bolsonaro (PL). Mas, dois dias depois, disse a repórteres que “há um preço” para que ele retire o nome da disputa.
Na sequência, em entrevista à TV Record, explicou que o tal “preço” seria ver o ex-presidente novamente apto a concorrer em 2026 — cenário hoje considerado impossível, devido às decisões do TSE que o tornaram inelegível.
A fala reforçou a percepção de que a candidatúra presidencial de Flávio pode não passar de um movimento tático, destinado a manter protagonismo político enquanto a família reorganiza suas posições no Rio e em Santa Catarina.
NO TABULEIRO, TARCÍSIO OBSERVA
Enquanto o clã Bolsonaro se rearranja, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) — considerado o nome mais competitivo da direita para 2026 — assiste de longe.
No entorno do governador, a leitura é de que “quanto mais indefinição na família Bolsonaro, melhor para ele”, já que a falta de um candidato único do PL fortalece a imagem de Tarcísio como alternativa natural do campo conservador.

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