Carlos Bolsonaro acusa STF de silenciar ex-presidente: “Domiciliar não é liberdade”
Medida humanitária por saúde impõe isolamento, tornozeleira e veto à comunicação; filho diz que restrições ampliam tensão política

O ex-vereador Carlos Bolsonaro reagiu com dureza à decisão que concedeu prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando que a medida “não representa liberdade” e acusando o Judiciário de impor um “silenciamento” ao pai. A declaração foi feita em vídeo divulgado nas redes sociais nesta terça-feira (24), poucas horas após a determinação judicial.
No vídeo, Carlos sustenta que Bolsonaro é alvo de perseguição política e nega a prática de crimes. Para ele, a mudança do regime fechado para o domiciliar não resolve o que chama de “injustiça de origem”.
“Prisão domiciliar não é liberdade. O presidente Bolsonaro não cometeu crime nenhum, não desviou recursos públicos e muito menos deu golpe como tentam acusá-lo. Essa decisão não encerra o debate — ela apenas começa. Ele não deveria nem estar preso”, disse.
Restrições no centro da crítica
A principal crítica do filho do ex-presidente recai sobre as condições impostas pela Justiça. Segundo ele, as medidas transformam a prisão domiciliar em um regime de forte isolamento.
Pela decisão assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, Bolsonaro deverá cumprir uma série de exigências rigorosas:
-
uso obrigatório de tornozeleira eletrônica;
-
permanência integral na residência, sem autorização para deslocamentos;
-
envio diário de relatórios às autoridades;
-
proibição total de uso de celular, redes sociais ou qualquer meio de comunicação externa;
-
limitação de visitas apenas a familiares diretos e advogados, em horários previamente definidos;
-
suspensão de visitas externas;
-
restrições a manifestações em um raio de até 1 km do local onde o ex-presidente ficará.
Para Carlos, essas condições impedem qualquer manifestação pública do pai e configuram uma tentativa de afastá-lo do debate político.
“O maior líder popular da história do Brasil está sendo silenciado e impedido de se comunicar diariamente”, afirmou.
Decisão por razões de saúde
A concessão da prisão domiciliar ocorreu após parecer favorável do procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco. No entendimento da Procuradoria, o quadro clínico do ex-presidente exige acompanhamento contínuo em ambiente domiciliar, o que justificaria a medida humanitária.
Jair Bolsonaro está internado desde o dia 13 de março no Hospital DF Star, onde trata uma broncopneumonia. A avaliação médica indicou a necessidade de cuidados prolongados, o que embasou a decisão judicial.
A medida tem prazo inicial de 90 dias, podendo ser reavaliada conforme a evolução do quadro de saúde.
Pena e risco de regressão
Mesmo com a mudança de regime, Bolsonaro segue cumprindo pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe. A decisão do STF estabelece que qualquer descumprimento das regras impostas poderá levar ao retorno imediato ao regime fechado.
Nos bastidores, aliados do ex-presidente veem a domiciliar como um alívio momentâneo, mas ainda distante de uma solução definitiva. Já críticos avaliam que as restrições são necessárias para garantir o cumprimento da pena e evitar interferências externas.
Carlos Bolsonaro, no entanto, rejeita qualquer interpretação de vitória. “Não podemos normalizar o fim da liberdade dele e comemorar migalhas”, disse.
A decisão reacende o embate político em torno do caso e deve manter o tema no centro do debate público nas próximas semanas.

Kitão quer levar debate sobre cannabis para Alego e uso da fibra na medicina
Candidato a deputado estadual, vereador quer usar experiência acumulada em Goiânia para levar discussão à Assembleia e ampliar políticas relacionadas à cannabis medicinal em Goiás

Pedro Sales desiste de candidatura a deputado federal em Goiás
Nos bastidores, Pedro Sales era apontado como um dos nomes cotados para integrar a chapa do PSD na disputa por uma cadeira na Câmara Federal.













