Câmara de Aparecida de Goiânia acelera um processo para garantir mais conforto sobre quatro rodas aos seus 25 vereadores. A bola da vez é a locação de veículos oficiais — de preferência SUVs, pretos e robustos.
O processo está em fase avançada e, segundo apurado, a previsão é que os carros estejam à disposição dos parlamentares já a partir de fevereiro. A justificativa oficial é conhecida: os veículos seriam usados exclusivamente para atividades do mandato, como agendas externas, compromissos institucionais e ações dos gabinetes.
Na prática, a iniciativa integra a atual gestão da Casa, comandada pelo vereador Gilsão Meu Povo (MDB), e passa a compor a chamada “estrutura de apoio administrativo” dos parlamentares. Um apoio que, desta vez, vem com ar-condicionado, altura do solo elevada e bom desempenho no trânsito urbano.
A preferência declarada da Câmara é por SUVs — os chamados “carros altos” — sob o argumento de maior robustez para o uso diário, além de conforto e durabilidade. A cor preta aparece como padrão mais cotado. Economia de combustível também entra na lista de critérios, embora o modelo de contratação seja por locação, paga com dinheiro público.
Entre os veículos que estão no radar para atender aos vereadores estão modelos bastante conhecidos do mercado: Renault Duster, Volkswagen T-Cross e Chevrolet Tracker. Carros que, fora dos corredores do poder, ainda estão longe da realidade de boa parte da população aparecidense.
O discurso é técnico, o texto administrativo é cuidadoso e o processo segue o “cronograma da Casa”. Mas o debate inevitável fica fora dos autos: é prioridade? A decisão de investir em SUVs para parlamentares reforça a sensação de distanciamento entre o Legislativo e a vida real do cidadão comum.
Não se discute a legalidade do processo — ao menos por ora. O que se questiona é o simbolismo. Quando o conforto dos representantes avança mais rápido que as soluções para quem os elegeu, o recado que fica é claro: o dinheiro é do povo, mas o banco do motorista segue reservado.