Câmara de Anápolis rejeita título de cidadão anapolino a Gayer
Parte dos vereadores deixou o plenário antes da votação, para evitar um posicionamento público. O episódio foi visto como um indicativo de declínio de apoio, mesmo entre seus aliados políticos

Em uma sessão marcada por um clima político tenso, a Câmara Municipal de Anápolis rejeitou, nesta segunda-feira (6), a proposta que concederia o título de cidadão anapolino ao deputado federal Gustavo Gayer (PL). O projeto, apresentado pelo vereador Suender Silva (PL), necessitava de 16 votos favoráveis — correspondente a dois terços dos parlamentares — mas obteve apenas 15.
Com isso, o projeto não poderá ser reapresentado pelos próximos seis meses.
A presidente da Casa, Andreia Rezende (Avante), oficializou o resultado e atendeu a um pedido de recontagem, que confirmou a rejeição da honraria. Parte dos vereadores deixou o plenário antes da votação, em uma aparente tentativa de evitar um posicionamento público sobre o tema. Nos corredores da Câmara, o episódio foi visto como um indicativo de declínio de apoio ao deputado, mesmo entre seus aliados políticos.
Crise no PL afeta decisão
Este revés acontece em um momento desafiador para o Partido Liberal (PL) em Anápolis. O presidente municipal do partido, Hélio Araújo, está sendo investigado pela Justiça por suposta participação em um esquema de rachadinha, intensificando o desgaste político da legenda na cidade e alimentando divisões internas. Este cenário crítico impactou diretamente o resultado da votação.
Alguns vereadores da própria sigla evitaram se associar ao nome de Gayer, o que reflete as tensões existentes dentro do partido. Fontes internas relataram que a proposta de homenagem reacendeu debates sobre o papel de Gayer no partido e sua influência na política goiana, especialmente em meio à crise atual.
Apesar dos esforços dos aliados de Gayer em mobilizar apoio entre os vereadores conservadores, a estratégia não foi suficiente para evitar a derrota. O deputado, embora ausente durante a sessão, mantém influência entre grupos de direita e é figura proeminente em pautas ideológicas no estado.
O fracasso na aprovação da homenagem foi visto por alguns como um teste do poder político de Gayer fora da capital, Goiânia. A votação emerge como um possível termômetro da real capacidade de articulação do deputado nas cidades estratégicas do interior goiano, e pode influenciar alianças políticas locais para as eleições municipais de 2026.
Nos bastidores, há uma expectativa de que este episódio pode redefinir o cenário político de Anápolis e impactar o futuro das alianças do PL, em um estado já marcado por fortes divisões internas e desafios políticos. Como o PL busca reorganizar sua base, o foco agora parece ser a recuperação de sua imagem pública e o distanciamento de controvérsias.

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