Câmara aprova troca de nome da Avenida Castelo Branco para “Agrovia Iris Rezende”
Como foi aprovado em segunda votação, para valer, o projeto depende apenas da sanção do prefeito Rogério Cruz (Republicanos), que ainda pode vetar sob pressão do empresariado

Sob protesto de alguns vereadores e empresários, o Plenário da Câmara de Goiânia aprovou nesta quinta-feira (17), por 19 votos a 8, a mudança do nome da Avenida Castelo Branco para “Agrovia Iris Rezende Machado”. A menos de um ano o projeto foi derrubado na Casa de Leis, porém, voltou à pauta e desta vez aprovado.
Como foi aprovado em segunda votação, para valer, o projeto depende apenas da sanção do prefeito Rogério Cruz (Republicanos). Caso o Executivo vete, a proposta retornará à Câmara, que pode derrubar ou manter a decisão do prefeito.
Vereadores contrários à mudança afirmam que a questão não é mudar o nome da avenida, mas o impacto econômico que a troca vai causar., já que segundo os empresários, a avenida hoje é referência e a mudança pode trazer “confusão” à população e derrubar as vendas dos estabelecimentos localizados na região. Ressaltam ainda os gastos, já que os donos de loja terão que se readequar tanto com as documentações dos estabelecimentos quando com a imagem, já que teriam que fazer, sendo os próprios, grandes alterações na fachada, veículos e outros.
Os parlamentários ressaltaram ainda que a medida afeta, além dos 400 empresários da Castelo Branco, os cerca de 20 mil empregos que essas empresas geram.
De acordo com o vereador Sargento Novandir (Avante), que pontua todos esses impactos econômicos com a mudança de nome, a aprovação atropelou os empresários da região, que não foram ouvidos e não respeitou a lei, que, segundo o parlamentar, determina que para uma alteração dessas deveria ter um abaixo-assinado com trabalhadores e moradores da Castelo Branco.
“Esse Projeto de Lei já foi apresentado uma vez, aproximadamente 8 meses atrás, quando os vereadores derrubam o projeto. Mas, infelizmente, está na pauta novamente e os mais de 400 empresários que trabalham na Castelo Branco, que geram mais de 20 mil empregos, por unanimidade são contra este projeto. São vários fatores que atrapalham muito esses trabalhadores. Um deles é a referência, Avenida Castelo Branco. Se rodar o estado e perguntar onde é a avenida em Goiânia todo mundo sabe onde é, mas quando mudar o nome será mais difícil os clientes chegarem às lojas. Outro problema irreparável é que esses empresários vão ter que gastar dinheiro com o Município, Estado e Governo Federal, mudar a fachada para trocar o nome, veículos pintados terão que mudar também. O prejuízo é irreparável. É uma vaidade do vereador Clécio Alves, que deveria refletir. Eu tenho me posicionado contra e vou posicionar até o final”.
A vereadora Aava Santiago apontou o cenário político nacional que o Brasil vive, com ameaças à democracia, ataques da extrema direita, não aceitação de parcela dos brasileiros quanto ao resultado das eleições presidenciais para apontar o “simbolismo” que a troca de nomes da avenida traz à tona.
“Eu jamais escolheria me omitir por medo de pressão, por qualquer setor que seja, em vez de ficar do lado do maior democrata da história de Goiás, que foi Iris Rezende. É muito simbólico, principalmente neste momento do país, a gente tirar o nome de um ditador [Castelo Branco] e colocar o nome de alguém que foi caçado pela ditadura militar e voltou para a política nos braços do povo através da urna [Iris Rezende]”.
VOTANTES
Votaram favoráveis ao projeto os seguintes vereadores: Aava Santiago (PSDB), Anderson Sales Bokão (PRTB), Anselmo Pereira (MDB), Geverson Abel (Avante), Igor Franco (PRTB), Izidio Alves MDB), Juarez Lopes (PDT), Kleybe Morais (MDB), Léo José (Republicanos), Mauro Rubem (PT), Paulo Henrique (PTC), Paulo Magalhães (União Brasil), Pastor Wilson (Brasil 35). Sandes Jr (PP), Thialu Guiotti (Avante) e Welton Lemos (Podemos).
Foram votos contrários os vereadores Cabo Senna (Patriota), Gabriela Rodart (PTB), Léia Klébia (PSC), Lucas Kitão (PSD), Lucíola do Recanto (PSD), Pedro Azulão Jr (PSB), Raphael da Saúde (DC) e Sargento Novandir (Avante).

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