Caixa-preta do Master assombra Marconi e deixa aliados em "pânico"
Ex-governador recebeu R$ 14,5 milhões do Banco Master entre 2021 e 2025. Nos bastidores, aliados temem que eventual delação do banqueiro Daniel Vorcaro revele detalhes capazes de ampliar o desgaste do tucano

O avanço das investigações sobre o chamado “Caso Master” acendeu um sinal de alerta no entorno político do ex-governador de Goiás, Marconi Perillo. Aliados do tucano demonstram preocupação com a possibilidade de o banqueiro Daniel Vorcaro fechar acordo de delação premiada e revelar detalhes sobre os R$ 14,5 milhões recebidos por Marconi entre 2021 e 2025.
Pré-candidato ao governo de Goiás nas eleições de 2026, Marconi teme enfrentar um desgaste ainda maior caso a chamada “caixa-preta” do Banco Master seja aberta pelas autoridades. Nos bastidores, interlocutores avaliam que uma eventual colaboração de Vorcaro pode provocar forte impacto político, principalmente pelo fato de o tucano ocupar, à época dos pagamentos, a presidência nacional do PSDB, cargo que lhe garantia influência em articulações políticas em Brasília.
A apreensão aumentou após a Polícia Federal identificar pagamentos mensais feitos pelo banqueiro ao senador Ciro Nogueira. Segundo as investigações, os repasses variariam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil e teriam ocorrido em troca de atuação política favorável aos interesses do Banco Master no Congresso Nacional.
Em situação semelhante, Marconi confirmou publicamente que recebeu pagamentos mensais de R$ 160 mil do Banco Master pela prestação de serviços de consultoria. Os valores, segundo o ex-governador, foram pagos à empresa MV Projetos e Consultorias, de sua propriedade.
O vínculo entre Marconi e o banco foi encerrado em julho do ano passado. Na ocasião, o tucano alegou que deixaria a função para se dedicar integralmente à pré-campanha ao governo de Goiás. De acordo com sua equipe, a rescisão contratual ainda teria rendido ao ex-governador cerca de R$ 7 milhões adicionais.
Apesar de os pagamentos estarem formalmente registrados como prestação de serviços de consultoria, aliados reconhecem reservadamente o receio de que investigadores aprofundem a análise sobre a natureza da relação entre Marconi e Vorcaro, principalmente diante da influência política exercida pelo tucano no período em que recebeu os repasses.
Preso desde março, Daniel Vorcaro se tornou o centro de uma das maiores crises recentes do sistema financeiro brasileiro. O Banco Master é alvo de diversas investigações que apuram movimentações suspeitas superiores a R$ 50 bilhões, além de possíveis conexões com autoridades ligadas aos três Poderes da República.
Com a pré-campanha de 2026 já em andamento, o temor entre aliados é que novos desdobramentos do “Caso Master” transformem a relação entre Marconi e o banqueiro em mais um fator de desgaste político para o ex-governador.

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