Caiado vai a Brasília debater federação entre União Brasil e PP: “Melhor cada um no seu quadrado”
A reunião, entre o governador e o presidente do UB, está prevista para esta quarta-feira (05) e será, nas palavras de Caiado, uma “prévia” antes de uma convocação formal da Executiva Nacional do União Brasil

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), afirmou nesta terça-feira (4) que vai se reunir em Brasília com o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, para defender que a federação entre seu partido e o Progressistas (PP) não seja oficializada. Segundo ele, a união entre as duas siglas tem causado “desgastes em vários estados” e não trouxe os resultados esperados desde que começou a ser discutida.
A reunião, prevista para esta quarta-feira (05), será, nas palavras do governador, uma “prévia” antes de uma convocação formal da Executiva Nacional do União Brasil. Caiado deixará claro seu posicionamento de que a federação — que criaria um comando unificado entre as legendas — não deve avançar.
“Amanhã terei uma conversa, sim, com o Rueda, para solicitar que realmente a gente analise esse fato e que veja que não tem motivo de dois partidos fortes, referência na política nacional, serem tutelados por um ou pelo outro nos estados da federação”, afirmou o governador. “Acho que isso realmente foi uma tentativa, mas que não teve bons frutos”.
Caiado argumenta que a experiência de federações partidárias tem gerado mais problemas do que benefícios, citando conflitos regionais e saídas de parlamentares.
“Nós estamos vendo crise no Paraná, em Santa Catarina, em São Paulo… esse processo acaba desgastando mais os partidos e eles saindo até menores do que aquilo que foi o planejamento”, disse.
Apesar do posicionamento, o governador fez questão de destacar que em Goiás a relação entre União Brasil e PP sempre foi de respeito. Ele mencionou, inclusive, sua parceria de longa data com o ex-ministro Alexandre Baldy, principal nome do Progressistas no estado.
“Em Goiás eu tenho uma convivência muito respeitosa com Alexandre Baldy, e sempre o PP foi nosso aliado. Mas é lógico que o PP, ao mesmo tempo, não quer ser presidido por outro. Isso aí trouxe muito mais discórdia, trouxe muito mais perda de parlamentar”, observou.
Caiado ressaltou que a recente saída do deputado Pedro Lupion (ex-PP, agora nos Republicanos) é um dos exemplos de desgaste causado pelo debate sobre a federação. Para ele, a tentativa de união entre partidos grandes, como União Brasil e PP — que somam juntos mais de uma centena de deputados federais — não faz sentido do ponto de vista político ou estratégico.
“Tem alguma contrariedade? Tem! Ora, cada partido quer ter sua independência territorial”, afirmou. “Nós temos 59 deputados, eles têm 50. São dois partidos que são relevantes no cenário nacional. Então não tem que você tutelar, botar um comando só nos Estados sobre dois partidos que têm identidade”.
O governador concluiu defendendo que a melhor alternativa é a autonomia partidária nos estados, adotando o que chamou de “cada um no seu quadrado” — expressão que virou sua síntese para o caso.
“Temos que ter humildade de entender o que dá certo e o que não dá certo. Nesta hora, entendo que recuar à condição de cada um no seu quadrado, cuidando de seus deputados e senadores com total atenção, é o caminho para entrar na eleição muito mais forte”, declarou.
A criação da federação entre União Brasil e PP vinha sendo tratada pela cúpula das duas legendas desde meados de 2024, como uma forma de fortalecer ambos diante das cláusulas de desempenho eleitoral. A ideia, porém, tem enfrentado resistência interna, especialmente de lideranças regionais que temem a perda de autonomia nas alianças locais.
Caiado, aliado de peso no União Brasil e um dos principais governadores do partido, tende a desempenhar papel decisivo no destino da proposta.

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