Caiado: Rio de Janeiro "hospeda" todos os comandantes do CV e Governo Lula é "conivente"; veja vídeo
Caiado foi além, criticando o que chamou de "farsa" nas ações governamentais. Ele comparou a postura do governo a pedidos de trégua a facções criminosas em ocasiões especiais

Em ao debate sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança e os desdobramentos da recente e polêmica megaoperação no Rio de Janeiro, que resultou em mais de 100 mortes entre traficantes e policiais militares, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (UB), fez declarações contundentes em entrevista à CNN. O mandatário goiano firmou categoricamente que o Rio de Janeiro "hospeda" todos os comandantes do Comando Vermelho de todo o Brasil e acusou o Governo Lula de ser conivente com o crime organizado.
As declarações do governador goiano surgem em um momento de intensa discussão sobre a segurança pública nacional, especialmente após a operação de grande porte na capital fluminense. Caiado não poupou críticas à gestão federal e à proposta de reformulação da segurança, a PEC 18/2025, que visa reforçar a atuação da União no setor.
"Rio de Janeiro, hoje, é o hospedeiro de todos os comandantes do Comando Vermelho do Brasil", sentenciou Caiado, traçando um cenário alarmante sobre a presença de facções criminosas no estado. O governador questionou a eficácia da PEC da Segurança, argumentando que a proposta, ao invés de resolver os problemas, apenas transfere o comando da segurança dos estados para o Ministério da Justiça.
"A PEC [da Segurança], ela faz o quê? Ela não faz nada. Ela simplesmente diz o seguinte, ‘olha. Ao invés da polícia dos estados mandar, quem vai mandar é para o Ministério da Justiça’. Se eles não conseguem resolver nada, como é que eles vão conseguir resolver nos estados?", indagou, sugerindo a incapacidade do governo federal em lidar com a complexidade do crime organizado.
Caiado foi além, criticando o que chamou de "farsa" nas ações governamentais. Ele comparou a postura do governo a pedidos de trégua a facções criminosas em ocasiões especiais.
"O que precisa é do governo ter capacidade de agir. Ou senão, é aquela farsa que você sabe. ‘Ah, vem o Papa, vamos pedir às facções que não matem ninguém nesse período’. ‘Olha, vem a Copa do Mundo, vamos pedir aos faccionados que não façam nada nesse período’. É essa mentira que precisa de ser colocada em público. É a falta de moral do governo do PT, porque ele é conivente com o crime. Essa é a grande verdade", disparou o governador, em uma acusação direta à administração petista.
A "PEC da Segurança" (PEC 18/2025) é uma proposta de emenda à Constituição que busca reformular a gestão da segurança pública no Brasil. A iniciativa propõe a constitucionalização do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), criado em 2018 pela Lei 13.675. O objetivo central é reforçar a atuação federal na segurança, ampliando o papel da União na formulação de políticas nacionais e no combate ao crime organizado. Caso seja aprovado, o texto representará uma das maiores reformas do setor nas últimas décadas, sugerindo mudanças significativas na estrutura da segurança pública e redefinindo as competências da União, estados, Distrito Federal e municípios.
Crítico ferrenho do projeto, Caiado destaca que, se aprovado, o texto tira a autonomia dos governadores no comando da Segurança em seus estados. O goiano acrescenta que a União não teria condições de lidar com o crime organizado nas diferentes regiões do país, dadas suas particularidades e diferenças. Ele defende que os mandatários estaduais foram eleitos para cuidarem de seus estados, inclusive da Segurança, e que a PEC derruba essa prerrogativa fundamental.
As declarações de Ronaldo Caiado reacendem o debate sobre a centralização ou descentralização da segurança pública no Brasil e a responsabilidade dos diferentes níveis de governo no combate ao crime organizado, especialmente em um cenário de alta complexidade como o do Rio de Janeiro.

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