Caiado recua e convida sindicatos de servidores para negociar correção salarial
No segundo semestre de 2021 Caiado foi perseguido e cercado em eventos por servidores em protesto pelo pagamento da data-base, porém, o governador afirmava que não concederia o reajuste.

O governador Ronaldo Caiado (União Brasil), que foi bastante pressionado pelos servidores públicos do Estado no ano passado (2021), quando era cobrado sobre a defasagem salarial, segundos os funcionários do Estado, de 27%, e realizasse a correção salarial com o pagamento da “data-base”, resolveu agora em 2022, quando vai tentar reeleição negociar com os sindicatos estaduais e “entrar num acordo”.
Segundo Caiado, para justificar o porquê de abrir essa negociação, o momento atual, após a adesão do Estado ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF), oferece condições para o Governo e os sindicatos de servidores públicos estaduais debaterem o pagamento da data-base.
“Meu secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima, já convidou os presidentes dos sindicatos para conversar, mostrar a eles o mapeamento e dizer o que é possível, e como poderemos chegar a esse acordo”, contou o governador em entrevista à Rádio CBN Goiânia.
O governador argumentou que não se tem data-base em Goiás desde 2016 e que a assinatura do teto de gastos foi feita por governos passados.
“O que se via era exatamente reajustes para algumas categorias. Não se tem data-base desde 2016. Temos que sentar e discutir, para dizer quais os parâmetros, o que nós conseguimos atender e as necessidades das categorias”, disse.
No entanto, apesar de abrir conversação para chegar num acordo com os servidores, Caiado explica que não se pode falar em pagamento de data-base se este cenário não estiver dentro da realidade do governo de Goiás, para que não se quebre o equilíbrio fiscal alcançado pela atual gestão, de antemão, dando a entender que não deve chegar onde os sindicatos querem.
“Goiás dava calote nos Poderes, em relação aos repasses do duodécimo; dava calote nos prefeitos, pois ficaram 17 meses sem pagar o repasse obrigatório, a contrapartida da Saúde; sete meses sem pagar o transporte e a merenda escolar; ficaram sem pagar salário, deram calote nos servidores e no empréstimo consignado”, diz o governador.
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Agrados aos servidores
O governador tem dado uma “atenção especial” aos servidores públicos desde o início do ano, após um final de 2021 conturbado com a categoria, que perseguia e cercava o Líder do Executivo estadual cobrando correção salarial.
Logo nos primeiros dias de janeiro, Caiado isentou aposentados e pensionistas do Estado, que recebem salário de até R$ 3 mil, de contribuírem com Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) do Estado, por meio do GoiasPrev, causando cerca de R$ 91 milhões de ‘furo” no caixa público.
No início deste mês, o governador reajustou aumentou em média de 42% as diárias dos servidores públicos estaduais que precisarem viajar a serviço do Estado neste ano. Servidores à serviço do Estado a partir dessa sexta-feira podem receber ajuda de custo de até R$ 450.
De acordo com o Portal da Transparência do Estado, em 2021 foram gastos R$ 18,5 milhões em diárias com 6.829 servidores num total de 123.056 dias de viagem, média de R$ 150/dia.
Se em 2022 fossem realizadas a mesma quantidade de dias viajados, ou seja, 123.056 com pagamento no valor mínimo reajustado, R$ 230, o impacto financeiro seria de R$ 28,3 milhões, quase R$ 10 milhões a mais do que o ano anterior.
Outro ponto que chamou atenção é o fato de mesmo nesse período de pandemia, com avanço significativo no número de novos casos de covid, Caiado decretou ponto facultativo nos dias 28 de fevereiro, segunda-feira de Carnaval, e 2 de março, Quarta-feira de Cinzas até às 14h, quando os servidores públicos deverão retomar as atividades.
Agora, o governador abre diálogo para negociar a correção salarial da categoria.

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