Caiado diz que filiação de Ana Paula ao PL tem motivação “empresarial”
Ao ampliar as críticas, o governador utilizou os termos "opção empresarial", "comercial" e "mercantilista" para falar da mudança partidária.

O governador Ronaldo Caiado (PSD) afirmou ter sido pego de surpresa com o anúncio da filiação da advogada Ana Paula Rezende ao Partido Liberal (PL) e o lançamento de sua pré-candidatura a vice-governadora na chapa do senador Wilder Morais (PL), ao Palácio das Esmeraldas. A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (20).
Em entrevista coletiva concedida no início da noite, no Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), Caiado afirmou que, segundo "sinalizações" que recebeu ao longo do dia, a decisão da advogada teria motivação "empresarial" e "não política".
"O que me sinalizaram é que foi muito mais uma decisão empresarial - dentro daquilo que chegou até a mim como informação, ou seja, um acordo empresarial do esposo (de Ana Paula) com o Wilder, nessa parte de condomínios, essa área de ampliação dessas áreas de condomínio e tudo isso", disse o governador.
Caiado apontou que questões de viés familiar e empresarial teriam sido a principal motivação para a filiação, mencionando que a razão seria "não política", mas "empresarial", ligada ao marido da advogada, o empresário e sócio da FGR Construtora, Frederico Craveiro. Ao ampliar as críticas, o governador utilizou os termos "opção empresarial", "comercial" e "mercantilista" para falar da mudança partidária.
Na sequência, afirmou ser "inimaginável" pensar que uma pessoa "do histórico dela venha a denegrir a imagem do seu próprio pai" ao se filiar ao PL, partido que, segundo ele, "dizia que não podia aceitar o Daniel (Vilela, vice-governador), porque ele é do MDB e o MDB é ligado ao PT".
"Então, quer dizer, ela está indo para ser vice de alguém que agride publicamente a história do seu próprio pai. Dizer, sinceramente, num primeiro momento, eu não entendi. Por isso que eu disse a você, foi muito mais um acordo empresarial do que um entendimento político. Porque se fosse prevalecer a parte política, isso não aconteceria", completou o governador.
Ana Paula não foi candidata pelo MDB
Caiado ainda relembrou tentativas anteriores para que Ana Paula fosse candidata pela base governista à Prefeitura de Goiânia, em 2024, e também para compor como vice em chapa majoritária neste ano. Disse que "não consegue entender" a decisão e avaliou que "vai ficar muito difícil para (Ana Paula) explicar isso aos eleitores".
Pré-candidato à Presidência da República, o governador comparou o episódio à sua própria migração do União Brasil para o PSD e afirmou que deixou o antigo partido sem conflitos internos. "Eu saí respeitando a tese do União Brasil que não terá candidato a presidente da República e fui para um partido onde se tem a chance de eu ser candidato a presidente. Então, se ela é a vice-presidente do partido Cabe a ela levar a matéria em discussão na executiva", disse Caiado.
O anúncio da mudança
Sobre a tentativa de contato feita por Ana Paula antes do anúncio, o governador afirmou que recebeu uma ligação às 11h45, já após a divulgação da filiação, segundo ele, e que só viu a chamada perdida quando embarcava de Crixás para Goiânia.
"Olha, eu posso dizer o seguinte: eu estava em Crixás de Goiás, já tinha saído uma nota dela e o telefone dela tocou às 11h45. Então não me ligou para discutir. Mas me ligou, provavelmente, para comunicar. Na hora que eu entrei no avião, voltando de Crixás para Goiânia, que eu corri lá a lista, tinha uma ligação dela, 11h45. O fato já havia acontecido", disse Caiado.
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