Caiado diz que assentamentos são usados pelo tráfico e depoimentos apontam que MST escraviza pobres
O governador de Goiás foi convidado para discursar na CPI pelo deputado federal Gustavo Gayer (PL).

Em depoimento prestado à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), na Câmara dos Deputados, em Brasília, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (UB), falou sobre o surgimento desse grupo e questionou a discussão sobre o assunto em 2023, tema que ele considerou "vencido". Ainda fez relação com o tráfico de drogas e o abuso contra trabalhadores mais pobres que, segundo outros depoimentos, chegam a ser escravizados.
“Com a promulgação da Constituição [de 1988], esse assunto foi pacificado do ponto de vista de normas que regem uma democracia. Não é a vontade de cada um”, disse Caiado.
O governador ainda criticou a filosofia de atuação do movimento, que, para ele, não atua em defesa dos mais pobres.
“O MST perdeu o sentido. [...] A sociedade não admite mais entidades que não se explicam perante a lei. O MST não existe, não tem entidade, estatuto, pessoa física, CNPJ”. O discurso de abertura do governador durou 30 minutos, em meio a tentativas de interrupção por parte das deputadas Talíria Petrone (Psol-RJ) e Sâmia Bonfim (Psol-RJ).
"Importante que seja dito que instalar a pessoa no campo não é jogá-la no campo. As pessoas não podem se intitular ‘protetores dos pobres e dos desassistidos'. Isso é falso”, afirmou Caiado perante o parlamento. “Defensor de pobre é quem usa a estrutura de governo para dar dignidade, educação de qualidade, segurança, condições sociais para poderem viver”, completou ao criticar o modo de agir do MST.
O deputado Ricardo Salles (PL), relator da CPI, cedeu o tempo dele para que Caiado continuasse a fala. Antes disso, o governador associou assentamentos isolados com o tráfico de drogas e trabalho escravo.
“Eles não estão cuidando de pessoas pobres. Depoimentos mostraram que pessoas são escravizadas dentro desses assentamentos”, continuou.
Ações em Goiás
De acordo com o Governo de Goiás, o estado conta com 405 assentamentos, que abrigam cerca de 24 mil famílias. Caiado utilizou os números e ações de seu governo para justificar a tese levantada pelo movimento sem terra, de que não há programa de reforma agrária no Brasil.
“Só no momento em que cheguei ao governo é que fizemos convênio com a Ambev para atender os assentados, que produzem mandioca, a Ambev compra, produz a cerveja e o produtor rural garante uma renda”, disse.
Caiado foi ouvido a pedido do deputado Gustavo Gayer (PL-GO). "A presença do governador como convidado na CPI enriquecerá o debate já que o estado de Goiás não conta com nenhuma ocupação do MST", disse o deputado ao justificar o convite.

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