Caiado defende presidencialismo forte e diz que não será “uma banana” no Planalto; veja vídeo
O governador reforçou que autoridade é indispensável ao cargo. “Ou você tem autoridade para ser presidente ou você vira uma esculhambação. Você não é nada”, afirmou.

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), voltou a defender o exercício firme do presidencialismo como saída para o que considera uma crise institucional entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Pré-candidato à Presidência da República, Caiado afirmou que, caso seja eleito em 2026, não aceitará um papel passivo no cargo.
A declaração foi feita nesta segunda-feira (9), durante o evento “Diálogos da Saúde”, realizado em São Paulo pelo Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (Sindhosp). A iniciativa reúne pré-candidatos ao Palácio do Planalto para debater políticas públicas voltadas ao setor da saúde. (veja o vídeo no final da reportagem)
Caiado respondeu a um questionamento do ex-ministro da Saúde do governo Jair Bolsonaro, Marcelo Queiroga (PL), que perguntou como o governador enfrentaria o que chamou de “captura do Estado brasileiro” em um eventual mandato a partir de 2027.
Na pergunta, Queiroga citou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que, segundo ele, teriam interferido em medidas adotadas nos governos Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro para impedir a abertura de novas faculdades de medicina. O ex-ministro também criticou a atuação de órgãos reguladores e do Congresso Nacional.
“Foi concedida uma liminar e, a partir daí, foi um trem da alegria de escolas médicas. Isso é um retrato da captura do estado brasileiro que forma os Vorcaros da vida e outras coisas mais. O setor da saúde não está imune a isso”, disse o ex-ministro.
Queiroga ainda mencionou a suposta “captura das agências regulatórias e até do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), levando a concentrações empresariais e supressão da concorrência”, além de responsabilizar o atual Congresso e o Senado pelas situações apontadas.
Resposta de Caiado
Ao responder, Caiado afirmou que o presidencialismo confere ao chefe do Executivo a prerrogativa de governar, mesmo diante de pressões de outros Poderes.
“É igual quando eu fui eleito governador. O deputado queria alguma coisa e eu dizia que ele foi eleito deputado e eu fui eleito governador. Você vai votar orçamento, lei e fiscalizar, mas quem vai governar sou eu, que tenho plano de governo. É preciso saber o que é o presidencialismo”, respondeu.
Em tom mais duro, o governador reforçou que autoridade é indispensável ao cargo. “Ou você tem autoridade para ser presidente ou você vira uma esculhambação. Você não é nada”, afirmou.
Caiado também citou sua trajetória como deputado federal e senador para sustentar que conhece o funcionamento do sistema político e os limites da relação entre Executivo e Legislativo. Segundo ele, emendas parlamentares e obras nas bases eleitorais devem ser respeitadas, mas sem retirar do presidente o controle discricionário do orçamento.
“Sem o discricionário, do que adianta você ser meu ministro? Você não vai ter dinheiro nenhum. Então, é preciso saber qual é o sistema político que se tem no país. Ou você exerce, ou então não pode culpar os outros. Se alguém disser que não sei o quê, ou que não sei quem não deixou: meu amigo, você é o quê? Você é presidente ou uma banana? O que você está fazendo aí no cargo? O diálogo é contínuo, mas a posição tem que ser de resultado”, disse.
O governador completou dizendo que não abrirá mão do comando do Executivo. “Não vou entregar meu plano de governo. Isso se chama autoridade moral. Quem não tem, não governa. A máquina e a mão de um presidente tem um peso que você não pode imaginar. Tudo tem seu limite. Botou cada um no seu quadrado, a gente vai bem”, afirmou.

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