Bolsonaro diz que prisão seria o 'fim' da vida e admite conversa sobre estado de sítio em 2022
Ex-presidente negou ter arrependimento por ter questionado a vitória de Lula e classificou uma possível condenação por participação na suposta trama golpista como 'completamente injusta'

Na semana em que se tornou réu no Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que uma eventual prisão seria o "fim" da vida, uma vez que completou 70 anos. O antigo chefe do Executivo, acusado de liderar uma trama golpista, também admitiu ter conversado com auxiliares sobre estado de sítio, estado de defesa e intervenção federal em 2022, mas alega que as possibilidades foram descartadas por ele "logo de cara".
"Eu não esperava o resultado (das eleições). Nós entramos com a petição e, no dia seguinte, o senhor Alexandre Moraes mandou arquivar e nos deu uma multa de R$ 22 milhões. Se a gente recorresse, podia passar para R$ 200 milhões. Se eu não vou recorrer à Justiça Eleitoral, pode ir para onde? Eu conversei com as pessoas, dentro das quatro linhas, que vocês estão cansados de ouvir, o que a gente pode fazer? Daí foi olhado lá, (estado de) sítio, (estado de) defesa, (artigo) 142, intervenção", afirmou ao jornal Folha de S. Paulo.
O ex-presidente negou ter arrependimento por ter questionado a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022 e classificou uma possível prisão por participação na suposta trama golpista como "completamente injusta".
"É uma história contada por aquela parte da Polícia Federal vinculada ao senhor Alexandre de Moraes. Aqui (Constituição) é a minha Bíblia. Tenho um problema, recorro a isso aqui. Agora, se não se pode falar estado defesa, de sítio, se revoga isso aqui. Pronto. Agora, não pode quando alguém fala sobre esse assunto e outra pessoa tem opinião contrária, passa a ser golpe", disse.
Ao jornal paulista, Bolsonaro negou que o projeto defendido por ele que pede anistia aos envolvidos no 8 de janeiro visa contemplá-lo e defendeu que discutir uma alternativa com militares para impedir a posse de Lula não representa uma tentativa de golpe de Estado.
"Golpe não tem Constituição. Um golpe, a história nos mostra, você não resolve em meses. Anos. E, para você dar um golpe, ao arrepio das leis, você tem que buscar como é que está a imprensa, quem vai ser nosso porta-voz, empresarial, núcleos religiosos, Parlamento, fora do Brasil. O "after day", como é que fica? Então foi descartado logo de cara".
O ex-presidente também comentou o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) de arquivamento da investigação contra ele por fraude no cartão de vacina - que foi atendido pelo ministro do STF Alexandre de Moraes na sexta-feira. Bolsonaro foi questionado sobre a fala do ex-ajudante de ordens Mauro Cid em delação sobre o caso, em que afirmou que a suposta fraude no documento teria ocorrido após um pedido do antigo chefe do Executivo.
"Eu jamais faria um pedido desse para alguém, me desmoralizaria politicamente, porque sempre fui contra a vacina, que até hoje é experimento. Um delator, para seguir a regra, tem que ser espontâneo, falar a verdade e ter prova. Tanto é que o senhor (procurador-geral da República Paulo) Gonet chegou à conclusão que não tinha indícios mínimos de eu ter mandado falsificar o cartão. Esse pedido de arquivamento, se fosse a Lava-Jato, já tinha anulado tudo. Mas como eu não sou tão poderoso assim", pontua.

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