Bolsonaro chama a vitória de Lula de "golpe" e diz que recebeu aviso divino para sair do Brasil
Réu por tentativa de golpe, o ex-presidente disse que teria sido preso se ficasse no país; também disse que em 2026 será possível confiar no resultado das eleições

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, neste domingo (06), que recebeu um "aviso divino" para deixar o Brasil no fim de 2022, após a derrota nas eleições presidenciais. Durante um ato na Avenida Paulista, em São Paulo (SP), o político, que é réu por tentativa de golpe de Estado, voltou a dizer que, se tivesse permanecido no país, teria sido preso em 8 de Janeiro de 2023, quando seus apoiadores destruíram as sedes dos Três Poderes pedindo uma ruptura democrática.
Bolsonaro chamou a vitória de Lula de "golpe" e acusou o Judiciário de agir para que ele perdesse as eleições.
“O golpe deles só não foi perfeito porque em 30 de dezembro eu saí do Brasil. Algo me avisou (disse, apontando para o alto) que alguma coisa ia acontecer. Se eu estivesse no Brasil, seria preso na noite de 8 de Janeiro. E estaria apodrecendo na cadeia até hoje ou até mesmo assassinado por esses mesmos que botaram esse vagabundo na Presidência”, afirmou.
Durante seu mandato, o ex-presidente questionou o resultado das eleições de 2018 e levantou dúvidas sobre a lisura do processo eleitoral, o que o tornou inelegível em um dos processos julgados pela Justiça Eleitoral.
Neste domingo, o discurso sobre o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mudou. De olho em 2026, Bolsonaro disse que o TSE terá um perfil “completamente de isenção”, já que o presidente será o ministro Nunes Marques, indicado por ele ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 2020. Segundo o ex-presidente, em 2026 será possível confiar no resultado da eleição.
A tônica do ato foi o pedido por anistia aos presos pelo 8 de Janeiro. O texto, que a oposição tenta fazer tramitar no Congresso, pode beneficiar o ex-presidente, já que ele é apontado pela Procuradoria-Geral da União (PGR) e pela Polícia Federal (PF) como o líder da intentona golpista que resultou no 8 de Janeiro.
Bolsonaro voltou a dizer que a liberdade é mais importante que a vida e afirmou que os governistas já perderam a guerra quando o assunto é anistia. Ele mencionou o caso de Débora Rodrigues dos Santos, a cabeleireira que pintou de batom a Estátua da Justiça durante os atos de vandalismo na Praça dos Três Poderes, e criticou a possibilidade de uma pena de 14 anos de prisão para ela.
O ex-presidente também falou sobre o caso de um pipoqueiro que participou do 8 de Janeiro cujo processo está no STF. Em um discurso em "inglês", com falhas na pronúncia, Bolsonaro disse não haver crime no caso dos dois.
"Ou seja: sorveteiro e pipoqueiro dando golpe de Estado no Brasil. É uma vergonha cometer esses dois por um crime que não existiu", afirmou.

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