Bolsonaristas divergem e buscam culpados por tarifa de Trump
Nas redes sociais, parlamentares bolsonaristas e até o perfil oficial do Partido Liberal difundiram frases como “a culpa é de Lula” e “tarifa do Lula”.

Após o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, na última quarta-feira (9), bolsonaristas passaram a apontar diferentes responsáveis pela medida. Os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) atribuem a responsabilidade ao ministro do STF Alexandre de Moraes, enquanto outros aliados do ex-mandatário colocam a culpa no governo Lula (PT).
Nas redes sociais, parlamentares bolsonaristas e até o perfil oficial do Partido Liberal difundiram frases como “a culpa é de Lula” e “tarifa do Lula” para criticar o atual governo. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), por exemplo, fez 11 publicações desde o anúncio de Trump, sempre citando Lula como responsável, mas sem mencionar o Supremo Tribunal Federal.
Outros deputados próximos a Bolsonaro seguiram o mesmo tom. Gustavo Gayer (PL-GO), Marco Feliciano (PL-SP), Bia Kicis (PL-DF), Carlos Jordy (PL-RJ), Nikolas Ferreira (PL-MG) e o pastor Silas Malafaia também concentraram as críticas no presidente petista.
Já Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tem defendido outra narrativa: chama o aumento de impostos de “tarifa-Moraes” e responsabiliza diretamente o ministro do STF. Em entrevista à Revista Oeste, afirmou que “Lula contribuiu, mas ele não é o fator determinante nessa sanção tarifária. Moraes foi o causador e o motivador de quase tudo aquilo que Trump colocou na carta dele”.
Eduardo defende que o Congresso envie uma “sinalização” para abrir diálogo com os Estados Unidos, sugerindo como saída a aprovação de uma anistia geral. “A gente pode começar fazendo uma anistia ampla, geral e irrestrita. Tá aí uma oportunidade para começar esse diálogo”, disse, numa tentativa de aliviar a situação do pai, que responde na Justiça por tentativa de golpe.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também endossou críticas ao STF e cobrou uma anistia. Em entrevista à CNN, o senador defendeu que o Brasil aceite as condições impostas por Trump e afirmou que o Supremo deveria reduzir supostas pressões sobre o Congresso, para viabilizar uma anistia que beneficie aliados do ex-presidente.
Jair Bolsonaro, por sua vez, só se pronunciou um dia depois do anúncio. Em nota publicada no X (antigo Twitter), reafirmou sua “admiração e respeito” pelos Estados Unidos e atribuiu o aumento das tarifas ao “afastamento do Brasil de seus compromissos históricos com a liberdade, o Estado de Direito e os valores que sempre sustentaram nossa relação com o mundo livre”.
Prejuízo de R$ 19,2 bilhões
Para além de narrativas políticas, dados concretos apontam que o setor mais aliado da direita - o agronegócio -, vai ficar com o maior prejuízo devido as medidas de Trump. Um levantamento inédito, publicado pelo site UOL, mostra que sobre o tarifaço 50% anunciado por Donald Trump de 50% ao Brasil pode custar 100 mil empregos e perda de 0,16% do PIB
De acordo com o grupo de pesquisa do Nemea-Cedeplar, da Universidade Federal de Minas Gerais, as taxas que entrarão em vigor em 1 de agosto gerariam uma queda do PIB de -0,16%, equivalente a R$ 19,2 bilhões. O núcleo produz cenários de comércio exterior para alguns dos principais conselhos de multinacionais no país e é considerado como referência.
Os EUA são o segundo maior comprador do produtos de carne, ficando atrás somente da China, e logicamente, os pecuaristas goianos – e de todo o Brasil – serão muito afetados pelo tarifaço. Na agricultura, o prejuízo será enorme, com grandes perdas para produtores de café, laranja, ovos, carne de aves e bovinos.

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