Após servidor usar salas da Casa para aplicar golpes, Alego "lava as mãos" e diz que não se responsabiliza
Cristiano Oliveira Siqueira e outros investigados prestavam “falsos serviços de assessoria tributária”, que inclusive funcionava dentro da própria Casa de Leis, para enganar famílias

Sobre as investigações da Operação Prince John, deflagrada pela Polícia Civil e que revelou que o procurador, Cristiano Oliveira Siqueira, preso na manhã desta terça-feira (20), estaria envolvido em um grupo criminoso que explorava pessoas enlutadas, a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) parece que “lavou as mãos” sobre a responsabilidade do caso e se limitou a dizer que “não tem conhecimento da operação da Polícia Civil e que não se responsabiliza por qualquer ato ilícito cometido por qualquer um dos servidores”.
Cristiano e outros investigados prestavam “falsos serviços de assessoria tributária”, que inclusive funcionava dentro da própria Casa de Leis, para enganar as famílias e aplicar os golpes oferecendo falsos descontos no tributo.
“A Assembleia Legislativa de Goiás não tem conhecimento da operação da Polícia Civil que investiga um dos servidores da Casa. A Alego não se responsabiliza por qualquer ato ilícito cometido por qualquer um dos servidores que não tenha relação com a administração legislativa. A Assembleia Legislativa de Goiás reprova veementemente este tipo de conduta e está à disposição da Polícia Civil e dos órgãos competentes para colaborar com as investigações”, diz a íntegra da nota emitida pela Alego.
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A nota destaca que a Alego “não se responsabiliza por qualquer ato ilícito cometido por qualquer um dos servidores que não tenha relação com a administração legislativa”, porém, a partir do momento que um servidor usa do cargo de “influência” e das dependências da Casa para cometer crimes tem sim “relação com a administração legislativa”.
Há de ressaltar que essa não foi a primeira vez que Cristiano Oliveira Siqueira aparece envolvido em crimes de corrupção. Em agosto de 2024, o nome desse servidor estava em meio às apurações do Ministério Público que investigava outro suposto grupo criminoso, envolvendo um juiz e os filhos advogados, num esquema de vendas de sentenças.
À época, o presidente da Alego, Bruno Peixoto nada fez, manteve o servidor no cargo e, até onde se sabe, sem nenhum tipo de punição. Agora, Cristiano é preso acusado de usar a influência do cargo e as dependências da Alego para aplicar golpes que, segundo as investigações, giram em torno de uma movimentação de quase R$ 354 milhões.
Assim como em Agosto de 2024, a atual gestão da Alego se manifesta “se eximindo da responsabilidade” do fato, não aponta quais medidas pretende tomar quanto a esse servidor, que aparece nas páginas policiais pela segunda vez, e segue agindo como se nada estivesse acontecendo.
Talvez a conduta da gestão da Alego, nos dois casos, explique a ousadia desse servidor em levar os crimes para dentro da Casa de Leis e a forma de agir com a certeza da impunidade.

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