Após reportagem do G5News e Goiás Agora, Câmara abre CEI para investigar vereadora
De acordo com o presidente da Câmara, a CEI pode levar ao processo de cassação do mandato da vereadora Karlla Dantas, que nega a ocorrência de irregularidades

A Câmara Municipal de Varjão (a 69 km de Goiânia) constituiu uma Comissão Especial de Investigação (CEI) para apurar alegadas irregularidades cometidas pela então presidente da Casa, vereadora Karlla Dantas (UB), em março de 2022. Na ocasião, uma doação de R$ 800,00 foi feito para um campeonato de futebol local, e cestas natalinas foram doadas para advogados e vereadores.
As denúncias foram levantadas pelo Portal G5News e pelo programa Goiás Agora, da PUC TV.
O Ministério Público de Goiás (MPGO) também investiga o caso como suposto “dano ao erário”, já que o dinheiro foi depositado em conta de pessoa física, com dispensa de licitação.
Três dos nove vereadores da cidade compõem a comissão. O presidente é o vereador Dorval da Silva (UB), a relatora é Ludmilla de Freitas (PSC) e o outro membro da CEI é o vereador Marciel da Silva (PSB).
O prazo para a conclusão das investigações é de 90 dias. De acordo com o presidente da Câmara de Varjão, Odenir Luiz da Mota (UB), cestas natalinas entregues aos vereadores e advogados da Casa no final do ano passado, também serão alvo de apuração.
“Eu já procurei em alguns lugares, teve prefeitura aí que fez cestas no final de ano que custou 10 vezes mais do que aqui”, disse Odenir ao G5 News, ao comentar o valor das cestas, que não foi informado. De acordo com ele, a CEI pode levar ao processo de cassação do mandato da vereadora Karlla Dantas, que nega a ocorrência de irregularidades.
“A comissão vai analisar os fatos, ver se houve crime mesmo e fazer o parecer deles. Quando fizerem o parecer, vamos analisar e votar”, pontuou. “Tudo que foi pedido, eu como presidente, fiz tudo dentro do regimento, não tomei partido e tentei ser o mais imparcial possível. Tudo tem que ser averiguado”, completou Odenir.
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Outro lado
Apesar da investigação já estar em andamento, como mostrado pelo G5 News, a parlamentar nega e diz que tudo ocorreu dentro da legalidade. Karlla também diz que o Ministério Público não investiga o caso das cestas básicas. Segundo ela, o contador levado em sessão da Câmara de Vereadores nesta quinta-feira (17), trabalha para o município há mais de 20 anos e apontou não haver irregularidade.
“Foi pago no regime de pessoa física por não ter um CNPJ do evento do campeonato, são pessoas que estão a frente do campeonato. Inclusive falam que fiz promoção pessoal, eu nem participei do campeonato, não estive lá, não participei da abertura, em nenhum momento teve meu nome no patrocínio. O patrocínio foi um apoio da Câmara Municipal”, disse ela.
Perseguição?
Karlla alega estar sendo perseguida e diz que já foi vítima de ataques de outros parlamentares durante o mandato. “Infelizmente isso tudo está sendo uma grande trama política para tentar atrapalhar nosso trabalho. Mas estou de cabeça erguida e tranquila de que não fiz nada de forma errada ou fui imprudente, irresponsável, jamais”, sublinha.
“É totalmente uma trama política, um grupo político que está tentando fazer de tudo para derrubar meu trabalho, inclusive pessoas que estão no mandato e outras que não conseguiram se eleger”, aponta.
“Várias vezes sofri ataques verbais, violência, e tudo isso foi mencionado ontem. O que cabe a mim como direito, eu vou atrás até o fim”, completa a vereadora.

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