Após multa no lixão, Mabel reage e chama secretária de "descontrolada"
Fala do prefeito ocorre após segunda multa diária de R$ 5 mil aplicada ao aterro de Goiânia

A crise ambiental envolvendo o antigo lixão de Goiânia atingiu um novo e dramático patamar político. Após ser notificada sobre a aplicação da segunda multa diária de R$ 5 mil pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), o prefeito Sandro Mabel (UB) reagiu com ataques pessoais contundentes à secretária Andrea Vulcanis. Em entrevista à Rádio Difusora Goiânia (95,5 FM), Mabel classificou a secretária como um "câncer dentro do governo" e a acusou de ser "descontrolada" e de ignorar ordens do governador Ronaldo Caiado.
A nova multa da Semad, aplicada nesta quarta-feira (22), foi motivada pela continuidade das irregularidades e pela operação do aterro sanitário sem licença ambiental, o que eleva a punição diária total da prefeitura para R$ 10 mil.
Em resposta, o prefeito defendeu os esforços de sua gestão para transformar o local em um aterro sanitário controlado, citando melhorias no tratamento do chorume. A irritação de Mabel, porém, se concentrou na postura da secretária Vulcanis:
"A secretária deveria criar vergonha na cara e ajudar a cidade. Eu, junto com o [Ronaldo] Caiado e o Leandro [Vilela], estávamos trabalhando todo mundo junto, mas a Semad é um câncer dentro do governo", disparou o prefeito.
Mabel insistiu que a secretária estaria agindo por perseguição e interesse, dificultando a adequação da capital: "Já falei com o governador vinte vezes sobre esse assunto, o governador não consegue controlar essa mulher não, ela é descontrolada, não pega na nossa mão para nos ajudar".
O prefeito alegou que a Semad "quer ferrar o aterro" ao sugerir que Goiânia gaste R$ 10 milhões mensais para despejar resíduos em aterros privados, recursos que, segundo ele, são cruciais para a saúde e educação. Ele citou que o órgão aponta irregularidades que teriam ocorrido na gestão anterior, como o rompimento de uma tubulação de chorume.
A Posição da Semad
Em nota, a Semad manteve a postura técnica e rebateu as alegações de perseguição. O superintendente de fiscalização, Ricardo Sales, afirmou que o local funciona como um "lixão" e que os problemas se agravaram.
A Secretaria enfatizou que a Prefeitura descumpriu um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado anteriormente e não realizou os investimentos prometidos. Além disso, a Semad alega que, mesmo após quatro vistorias em 2025 que apontaram risco real para a cidade (como vazamento de chorume e falhas na drenagem), a Prefeitura sequer deu entrada em um pedido formal para regularizar a documentação do aterro.

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