Após escândalo, vereador não devolve carro da Câmara, pode ser denunciado à polícia e ser cassado
Denúncias contra Luzimar Silva apontam que o veículo oficial teria sido empregado em viagens particulares para SP, sob o pretexto de comprar brinquedos para o Dia das Crianças

O vereador Luzimar Silva (PP) de Anápolis encontra-se no centro de uma séria controvérsia que pode escalar para a esfera criminal. O parlamentar está sendo investigado pelo uso indevido de um veículo oficial pertencente ao Poder Legislativo Municipal, com acusações de utilizá-lo para fins pessoais, incluindo supostas viagens a São Paulo mascaradas sob justificativas ligadas à atividade parlamentar.
As denúncias apontam que o veículo oficial teria sido empregado em viagens particulares para a capital paulista, alegadamente sob o pretexto de adquirir "brinquedos" para o Dia das Crianças. No entanto, informações obtidas indicam que essas viagens teriam sido, na verdade, passeios e compras de cunho estritamente pessoal, desvirtuando completamente a finalidade pública do bem.
Para agravar a situação, registros de multas por excesso de velocidade teriam sido acumulados durante essas viagens, evidenciando não apenas o uso indevido, mas também uma conduta que coloca em risco a segurança no trânsito e gera custos adicionais para o erário público, seja diretamente pelas multas ou indiretamente pela depreciação e manutenção do veículo.
Diante das evidências e da gravidade das alegações, a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Anápolis teria formalmente instado o vereador Luzimar Silva a proceder com a devolução imediata do carro oficial. A solicitação baseia-se na constatação de que o veículo estaria sendo utilizado para atividades que transcendem as prerrogativas e necessidades do mandato parlamentar, configurando um desvio de finalidade.
Contudo, a situação ganhou contornos de insubordinação. Segundo informações, o vereador Luzimar Silva estaria se recusando terminantemente a entregar o veículo oficial, desafiando a determinação da Mesa Diretora. Fontes indicam que, em um movimento para sustentar sua recusa, o parlamentar teria buscado o apoio de pelo menos mais dois colegas vereadores, tentando formar uma frente para "bancá-lo" em sua postura desafiadora.
A recusa em devolver o bem público, somada ao seu uso indevido, elevou o nível de preocupação dentro da própria Câmara. A Procuradoria da Casa, órgão responsável pela assessoria jurídica do Legislativo, já teria se manifestado sobre o caso. A orientação jurídica teria sido direcionada à presidente da Câmara Municipal, vereadora Andreia Rezende (Avante), no sentido de que seja registrado um Boletim de Ocorrência (BO) junto à Polícia Civil por crime de apropriação indébita.
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A apropriação indébita de bem público é um crime previsto no Código Penal e a formalização de uma denúncia por parte da Câmara Municipal teria implicações diretas e sérias para o vereador Luzimar Silva. A comunicação do fato à Polícia Civil resultaria, por força da lei, na abertura de um inquérito policial para investigar as circunstâncias do uso do veículo e a recusa em devolvê-lo.
Caso o inquérito policial confirme os indícios de crime, o vereador terá de enfrentar um processo criminal na Justiça. As consequências de um eventual processo criminal podem ser severas e ir além das sanções judiciais. No âmbito político, um processo criminal pode desencadear um processo de cassação de mandato na própria Câmara Municipal, onde os pares do vereador teriam que decidir sobre o seu futuro político.
A situação coloca o vereador Luzimar Silva em uma posição delicada, sob a mira de investigações internas e com a iminência de um processo criminal.

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