Aplicação de R$ 40 milhões no Banco Master foi feita sem aval do Conselho, afirma presidente
Apesar da aprovação geral de ajustes na política de investimentos, a aplicação específica de R$ 40 milhões no Banco Master não passou pelo Conselho.

A aplicação de R$ 40 milhões do AparecidaPrev no Banco Master voltou ao centro das discussões na Câmara Municipal de Aparecida de Goiânia nesta segunda-feira (8). Durante a sessão, a presidente da autarquia, Márcia Tinoco, afirmou que o investimento foi realizado “à revelia” do Conselho Deliberativo, sem qualquer autorização formal do colegiado.
A declaração foi feita após o vereador André Fortaleza (Sem Partido) questionar o diretor financeiro do AparecidaPrev, Khaio Eduardo, sobre a operação. Khaio explicou que a decisão partiu do ex-presidente da autarquia, Robes Venâncio, sem participação da atual gestão. Irritado, Fortaleza afirmou que os responsáveis pelo caso deveriam estar presos.
Antiga gestão
Márcia apresentou uma cronologia detalhando como a operação se desenvolveu. Segundo ela, a aproximação com o Banco Master começou em novembro de 2023, quando representantes do banco participaram de uma apresentação ao Conselho do AparecidaPrev. Em dezembro, a instituição foi credenciada.
Em fevereiro de 2024, o então presidente Robes Venâncio e o ex-secretário de Governo, Einstein Paniago, solicitaram estudos sobre letras financeiras e levantaram a possibilidade de investir R$ 50 milhões. O Conselho, naquele momento, rejeitou alterações na Política de Investimentos. Mesmo assim, Robes e Einstein insistiram, e a proposta acabou voltando à pauta e sendo aprovada posteriormente — movimento que, segundo Márcia, abriu caminho para a operação.
Aplicação foi unilateral
Apesar da aprovação geral de ajustes na política de investimentos, a aplicação específica de R$ 40 milhões no Banco Master não passou pelo Conselho. De acordo com Márcia, Robes autorizou o aporte de forma unilateral em 6 de junho de 2024.
A operação só veio à tona em setembro, quando um conselheiro encontrou informações sobre o investimento publicadas na internet. A descoberta gerou reuniões emergenciais e colocou o caso sob análise da assessoria de investimentos, que recomendou vender os títulos ao Banco do Nordeste.
Em outubro, o Comitê de Investimentos aprovou a liquidação dos papéis e pediu abertura de investigação formal. A análise técnica ainda apontou fragilidade financeira do Banco Master, agravando as dúvidas sobre a decisão da gestão anterior.
Nova gestão aciona órgãos de controle
Márcia relatou que assumiu o AparecidaPrev com ausência de documentos, inconsistências técnicas e riscos ao patrimônio previdenciário. Por isso, comunicou o prefeito e obteve autorização para acionar o Ministério Público, o Ministério da Previdência e o Tribunal de Contas dos Municípios. As denúncias já foram protocoladas.
A presidente também solicitou auditoria externa, reforçou os controles internos, suspendeu a antiga assessoria financeira e instituiu boletins de acompanhamento. Um relatório técnico será disponibilizado publicamente na área de transparência da autarquia.
O AparecidaPrev já se habilitou como credor na liquidação judicial do Banco Master. O valor aplicado — R$ 40 milhões — chega a R$ 47 milhões com os juros acumulados.
Vereadores cobram esclarecimentos
Durante a sessão, vereadores cobraram responsabilização e demonstraram preocupação com a segurança do patrimônio, que hoje soma R$ 1,02 bilhão. Khaio Eduardo reforçou que Robes tomou a decisão “por conta e risco”, sem consultar os conselhos, o que impediu a emissão de qualquer parecer técnico pela assessoria de investimentos.

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