Ao se defender, Caiado cita reuniões de Dilma, Lula e Bolsonaro
O político diz que não cometeu abuso de poder ao realizar reuniões com os vereadores eleitos em Goiânia, nas eleições deste ano.

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (UB), disse que respeita a decisão judicial que o tornou inelegível, mas afirmou que a matéria será revista. Em coletiva de imprensa, realizada na tarde desta quarta-feira (11), Caiado pontuou que a decisão em primeira instância “extrapolou tudo que era imaginado”. O político diz que não cometeu abuso de poder ao realizar reuniões com os vereadores eleitos em Goiânia, nas eleições deste ano.
“Reuni vereadores numa reunião institucional, de poder, eu como governador [e] vereadores eleitos para tratar de um assunto que era extremamente delicado naquele momento porque a discussão já existia”, alegou Caiado. O governador afirmou que a reunião foi fechada e não teve o intuito de fazer campanha eleitoral. No dia do encontro, foram discutidos temas relacionados à saúde da capital, que já vinha em crise.
A Justiça eleitoral decidiu, em primeira instância, pela cassação da chapa composta pelo prefeito eleito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), e sua vice, Cláudia da Silva Lira, além de tornar o governador inelegível por oito anos. A juíza Maria Umbelino Zorzetti acatou o pedido da chapa adversária, liderada por Fred Rodrigues (PL), que também disputou o pleito municipal.
O argumento teve como base os dois jantares promovidos pelo governador Ronaldo Caiado no mês de outubro, em período eleitoral. Esses eventos, realizados no Palácio das Esmeraldas – sede oficial do Governo do Estado –, contaram com a presença de vereadores, suplentes e outras lideranças políticas importantes da capital.
Dilma, Lula e Bolsonaro
Caiado citou reuniões no Palácio do Alvorada, realizadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) durante as eleições. O chefe do Executivo goiano disse que não pode haver dois tratamentos. Ao ser questionado sobre pedido de votos de forma indireta para Mabel, Caiado disse que "nunca fez curso de mágica".
A declaração tem relação com a justificativa dada pela juíza que cita que os políticos fizeram nos jantares "uso de palavras mágicas" para "pedidos de votos”. O prazo para a apresentação do recurso é de três dias, conforme estabelecido pela legislação eleitoral.
“Vocês estão vendo agora, em 2024, com Lula gravando todas as matérias pedindo voto pro Boulos, dentro do Palácio do Alvorada. Você não pode ter dois pesos e duas medidas. Aqui é minha residência [Palácio das Esmeraldas], eu moro aqui”, disse o governador.

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