Anselmo junta secretários de Mabel na Câmara para destravar projetos e conter crise
Prefeito em exercício reuniu 12 secretários, cobrou diálogo com vereadores e entrou em campo para acelerar projetos travados, enquanto parlamentares reclamam de confusão e falta de acesso nas sessões da CCJ

O prefeito em exercício de Goiânia, Anselmo Pereira (MDB), montou uma força-tarefa política dentro da Câmara Municipal para tentar destravar projetos considerados prioritários pela gestão de Sandro Mabel (UB). Em meio a críticas, impasses e reclamações sobre o funcionamento da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR), Anselmo reuniu 12 secretários municipais com vereadores da base aliada para reforçar a articulação política e acelerar votações emperradas no Legislativo.
Entre os principais projetos travados está o Programa Morar no Centro, parado desde abril na CCJ e cercado por pendências técnicas. Já o Programa de Autonomia Financeira das Unidades de Saúde (Pafus) conseguiu avançar e foi aprovado definitivamente nesta terça-feira (12), após inclusão e inversão de pauta. Nos bastidores, a avaliação no Paço é de que faltava aproximação direta entre o secretariado e os vereadores.
Participaram da reunião nomes de peso da administração municipal, como Coronel Cláudio, da Comurg, Zilma Peixoto, da Amma, Gisele Faria, da Educação, Oldair José, da Fazenda, Luiz Pellizzer, da Saúde, Sabrina Garcez, da Governo, além de outros integrantes do primeiro escalão. A vice-prefeita licenciada Cláudia Lira também esteve presente representando o Executivo no plenário.
Segundo Anselmo Pereira, a movimentação foi articulada previamente com Sandro Mabel e busca mostrar unidade entre Executivo e Legislativo em meio ao clima político cada vez mais acirrado.
“É uma demonstração de que nós temos maturidade suficiente para passar por cima de qualquer questão política e ideológica, inclusive em um ano de disputas eleitorais. O que vale mesmo é a cidade”, afirmou.
O prefeito em exercício ainda revelou que recebeu orientação direta de Mabel para intensificar o diálogo com os parlamentares. “O prefeito já nos orientou para isso. Ele falou: ‘Atendam os vereadores e façam esse afago a cada parlamentar, porque cada um tem sua peculiaridade’”, declarou.
A expectativa da base governista é que o Programa Morar no Centro volte à pauta nesta quarta-feira (13). Anselmo disse ter conversado com o presidente da CCJR, Luan Alves (MDB), e com o procurador Kovalski para resolver os entraves jurídicos da proposta.
“Estamos destravando todas as exigências que pediram do Morar no Centro. A situação está equacionada”, disse.
Enquanto isso, cresce a pressão nos bastidores contra o funcionamento da CCJR. Vereadores relatam dificuldades para acessar sessões virtuais da comissão e reclamam da condução dos trabalhos. No último dia 6, uma reunião foi encerrada cerca de 15 minutos após a abertura por falta de quórum, aumentando a irritação entre parlamentares.
A vereadora Daniela da Gilka (PRD) afirmou que não recebeu convite em tempo hábil para participar remotamente da sessão.
“Vem acontecendo de as sessões serem finalizadas antes de conseguirmos participar como membros da CCJ”, criticou. Segundo ela, o regimento interno garante participação virtual dos vereadores e a regra precisa ser respeitada.
Em resposta às críticas, Luan Alves negou qualquer favorecimento a projetos do Paço Municipal e afirmou que a comissão segue o rito normal da Casa.
“Não vou dar urgência nem para projetos do Paço nem para projetos de vereadores. O que queremos é uma rotina normal, sem atropelar ninguém”, rebateu.
O presidente da CCJ também alegou excesso de demandas na comissão, que hoje acumula cerca de 200 projetos em tramitação.
“Vamos criando uma escala para discutir todas aos poucos”, afirmou. Luan ainda reforçou que os parlamentares precisam estar presentes desde o início das sessões. “Desde o início dos anos 2000, a CCJR começa às 8h de quarta-feira, e não às 8h20 ou 8h30”, concluiu.

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