A Prefeitura de Anápolis decidiu mudar a lógica do atendimento social e, literalmente, colocar o serviço público sobre rodas. Lançado nesta quinta-feira (26), o programa Elo Itinerante promete ir onde o poder público quase nunca chega — e conversar com quem, historicamente, ficou à margem das políticas sociais.
O pontapé inicial aconteceu no hall do estacionamento do Centro Administrativo Adhemar Santillo, com direito a slogan direto ao ponto: “O Social de Ponta a Ponta”. A proposta é simples e ambiciosa ao mesmo tempo: reduzir a distância entre a prefeitura e as famílias que mais precisam, sem exigir delas longos deslocamentos ou paciência infinita com a burocracia.
Hoje, Anápolis conta com apenas quatro CRAS para atender uma população que já ultrapassa os 400 mil habitantes. Na avaliação da secretária municipal de Assistência e Políticas Sociais e primeira-dama, Carla Corrêa, o modelo ficou pequeno demais para a cidade. “Percebemos que esse formato se tornou ineficiente. Era preciso mudar”, resume.
A mudança vem em forma de uma van equipada e uma equipe multidisciplinar, que vai circular pelos quatro cantos do município para identificar, acolher e orientar famílias em situação de vulnerabilidade. O foco não é apenas o benefício financeiro, mas o acesso a serviços básicos, como saúde e educação — aqueles que, no papel, são direitos, mas na prática nem sempre chegam.
O diagnóstico inicial ajuda a explicar o tamanho do desafio. No começo da atual gestão, Anápolis tinha apenas 1,7 mil pessoas cadastradas no CadÚnico. Pelas projeções federais, esse número deveria estar próximo de 30 mil. A diferença escancara um problema antigo: gente que existe para a estatística, mas não para o sistema.
“É uma forma mais eficaz de atender diretamente essas famílias, fazer uma radiografia realista da cidade e atuar de maneira muito mais acolhedora”, afirma Carla Corrêa. “Levar o cuidado até onde a pessoa está é oferecer apoio e devolver dignidade a quem mais precisa.”
Com o Elo Itinerante, a prefeitura aposta que sair do prédio e ir ao encontro da população pode ser o primeiro passo para reconstruir vínculos — e, de quebra, fazer o social funcionar fora dos discursos e mais perto da vida real.