Amauri entrega jogo e expõe acordão na Alego: "Eu poderia derrubar o Conselho de Ética"; assista
Ao admitir que deputados perguntaram como ele gostaria que votassem e afirmar que poderia ter derrubado a própria punição, Amauri Ribeiro expôs os bastidores de um suposto acordão na Alego para livras de processo no TRE-GO

Se ainda existia alguma dúvida sobre a existência de um acordão para salvar o deputado estadual Amauri Ribeiro (PL), foi o próprio parlamentar quem tratou de dissipá-la durante a sessão da Assembleia Legislativa de Goiás desta quinta-feira.
Investigado por ataques contra a deputada Bia de Lima (PT) e denunciado pelo Ministério Público Eleitoral por suposta violência política de gênero em nove episódios, Amauri recebeu da Alego uma punição que muitos consideram simbólica: ficará 30 dias sem usar a tribuna, mas continuará votando, exercendo normalmente o mandato e recebendo salário integral.
Até aí, a narrativa oficial era a de que a Casa havia cumprido seu papel ao aplicar uma sanção disciplinar. O problema surgiu quando o próprio beneficiado resolveu falar.
Da tribuna, Amauri afirmou que poderia ter derrubado facilmente a punição do Conselho de Ética. Mais do que isso: revelou que deputados o procuraram para perguntar qual posição deveriam adotar na votação.
“Eu teria pedido aos deputados para votarem contra, porque me pediram qual voto eu queria. E eu disse, podem votar sim”, declarou.
A frase caiu como uma bomba nos bastidores políticos. Afinal, se parlamentares realmente consultaram o investigado sobre qual deveria ser o resultado da votação, a punição deixa de parecer uma decisão autônoma do Legislativo e passa a ter a aparência de uma solução previamente combinada.
A suspeita ganha ainda mais força porque, logo após aprovar a sanção branda contra Amauri, a Assembleia votou e aprovou um decreto legislativo suspendendo a ação penal que tramita contra ele no Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO).
Na prática, a Casa condenou o deputado internamente por ofensas dirigidas à petista, mas, no mesmo movimento, criou o argumento político para impedir o avanço de um processo que poderia trazer consequências muito mais sérias ao parlamentar, inclusive em ano eleitoral.
A deputada Bia de Lima reagiu. Em plenário, afirmou que a Assembleia não poderia interferir no trabalho da Justiça Eleitoral e criticou o que classificou como anos de silêncio diante dos ataques sofridos.
O resultado final reforçou a impressão de que o desfecho já estava desenhado. O Conselho de Ética aprovou a suspensão de Amauri por 23 votos a 4. Em seguida, o decreto que trava a ação no TRE passou por 28 votos a 3.
Nos corredores da Alego, a leitura é simples: Amauri recebeu uma punição suficientemente leve para demonstrar alguma reação institucional da Casa e, em troca, ganhou proteção contra um processo que poderia representar um risco real ao seu futuro político.
O detalhe mais constrangedor para a Assembleia é que a principal evidência desse arranjo não veio da oposição nem dos críticos do governo. Veio do próprio deputado beneficiado.

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